Uma coisa que me impressiona desde o início do papado de Leão XIV é sua consciência a respeito do papel curativo que ele exerce sobre o mundo.
Em sua atual viagem pelo continente africano, o Papa esteve em Argel, no dia 13 de abril, onde visitou a Grande Mesquita de Argel, a terceira maior mesquita do mundo. Ao assinar o Livro de Honra da mesquita, escreveu: “Que a misericórdia do Altíssimo mantenha o nobre povo argelino e toda a família humana em paz e liberdade.”
A visita não passou despercebida: setores mais conservadores do catolicismo reagiram nas redes sociais questionando a adequação do gesto, levantando dúvidas sobre sincretismo e os limites do diálogo inter-religioso.
Logo após esse falatório nas redes sociais, o Papa deu uma declaração que sintetiza a consciência que ele tem da sua missão:
“A visita à mesquita é significativa para dizer que, embora tenhamos crenças diferentes, maneiras diferentes de pensar, maneiras diferentes de viver — podemos viver juntos em paz.”
E arrematou com uma fala muito precisa: “Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje em dia.”
Ou seja, ao mesmo tempo em que ele admite que somos diferentes e temos crenças que são diferentes às de outras religiões, ele também reconhece a força da sua imagem impressa por todo o mundo como um exemplo de convívio pacífico.
O uso do termo “imagem” na fala do Papa não é em vão. Em outubro de 2012, durante a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Bento XVI sobre o tema da Nova Evangelização, o então prior-geral da Ordem de Santo Agostinho, Robert Francis Prevost fez contribuições que já apontavam o seu modo de ver o mundo e a cultura de massas.
Prevost fez um diagnóstico preciso do problema e apontou para uma solução que, hoje, vemos manifestada no seu próprio pontificado:
“Se a Nova Evangelização vai contrapor com sucesso essas distorções da realidade religiosa e ética produzidas pela mídia de massa, pastores, pregadores, professores e catequistas precisarão se tornar muito mais informados sobre o desafio de evangelizar em um mundo dominado pela mídia de massa. Os Padres da Igreja, incluindo Santo Agostinho, podem oferecer uma orientação eminente à Igreja nesse aspecto da Nova Evangelização, precisamente porque eram mestres da arte da retórica. Sua evangelização foi bem-sucedida em grande parte porque compreendiam os fundamentos da comunicação social adequados ao mundo em que viviam.”
Portanto, desde antes de assumir o trono, o Papa já reconhecia a importância fundamental do domínio da linguagem e da criação de imagens que representem o verdadeiro significado da nossa fé. A fala de Prevost na conferência é de uma poesia singular e ele finaliza com mandato:
“A missão própria da Igreja é introduzir as pessoas à natureza do mistério como antídoto ao espetáculo.”
O Papa Leão é realmente uma figura para nossos tempos. Em artigo recente do Washington Post, a editora Julia Yost observa que o catolicismo vem ganhando mais adeptos ultimamente justamente pelo poder das suas imagens numa era dominada pelo Instagram e pelo TikTok.
Ela aponta que a cultura da internet atual é visual e pós-literária. Nesse ambiente, o “drip católico”, como ela chama, com seus ícones, incenso, terços, véus e a liturgia de cores ricas, encontra terreno fértil.
Yost conclui seu artigo com uma frase que ressoa diretamente com o papado de Leão XIV: “a Igreja Católica oferece, para uma geração entediada com a liberdade infinita, algo raro — regras para viver, e uma imagem de mundo alternativa ao espetáculo vazio.” Até o vocabulário é o mesmo: a palavra espetáculo volta a se repetir.
As imagens que nos são trazidas pela arte e pela cultura têm a vocação específica de despertar em nós outros modos de agir e ser no mundo.
Sem uma imaginação rica, é impossível articular soluções para nossa vida e criar novos caminhos de santidade. Uma imaginação fértil e ordenada é uma ferramenta crucial no processo de santificação. Ao passo que uma imaginação viciada e corrompida por ideologias é um elemento altamente restritivo na busca por uma união com Deus.
Portanto, o Papa reconhece e enfatiza a necessidade elementar de criarmos expressões visíveis da nossa fé que abram a imaginação das pessoas para uma nova possibilidade de convívio. É um papado que tem sido marcado desde o início por uma nova proposta de imaginação católica. Considero isso a primeira e mais importante ação de evangelização. Com o Papa Leão, inauguramos uma nova instância no apostolado da imaginação.
Uma coisa que me impressiona desde o início do papado de Leão XIV é sua consciência a respeito do papel curativo que ele exerce sobre o mundo.
Em sua atual viagem pelo continente africano, o Papa esteve em Argel, no dia 13 de abril, onde visitou a Grande Mesquita de Argel, a terceira maior mesquita do mundo. Ao assinar o Livro de Honra da mesquita, escreveu: “Que a misericórdia do Altíssimo mantenha o nobre povo argelino e toda a família humana em paz e liberdade.”
A visita não passou despercebida: setores mais conservadores do catolicismo reagiram nas redes sociais questionando a adequação do gesto, levantando dúvidas sobre sincretismo e os limites do diálogo inter-religioso.
Logo após esse falatório nas redes sociais, o Papa deu uma declaração que sintetiza a consciência que ele tem da sua missão:
“A visita à mesquita é significativa para dizer que, embora tenhamos crenças diferentes, maneiras diferentes de pensar, maneiras diferentes de viver — podemos viver juntos em paz.”
E arrematou com uma fala muito precisa: “Promover esse tipo de imagem é algo que o mundo precisa ouvir hoje em dia.”
Ou seja, ao mesmo tempo em que ele admite que somos diferentes e temos crenças que são diferentes às de outras religiões, ele também reconhece a força da sua imagem impressa por todo o mundo como um exemplo de convívio pacífico.
O uso do termo “imagem” na fala do Papa não é em vão. Em outubro de 2012, durante a XIII Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, convocada pelo Papa Bento XVI sobre o tema da Nova Evangelização, o então prior-geral da Ordem de Santo Agostinho, Robert Francis Prevost fez contribuições que já apontavam o seu modo de ver o mundo e a cultura de massas.
Prevost fez um diagnóstico preciso do problema e apontou para uma solução que, hoje, vemos manifestada no seu próprio pontificado:
“Se a Nova Evangelização vai contrapor com sucesso essas distorções da realidade religiosa e ética produzidas pela mídia de massa, pastores, pregadores, professores e catequistas precisarão se tornar muito mais informados sobre o desafio de evangelizar em um mundo dominado pela mídia de massa. Os Padres da Igreja, incluindo Santo Agostinho, podem oferecer uma orientação eminente à Igreja nesse aspecto da Nova Evangelização, precisamente porque eram mestres da arte da retórica. Sua evangelização foi bem-sucedida em grande parte porque compreendiam os fundamentos da comunicação social adequados ao mundo em que viviam.”
Portanto, desde antes de assumir o trono, o Papa já reconhecia a importância fundamental do domínio da linguagem e da criação de imagens que representem o verdadeiro significado da nossa fé. A fala de Prevost na conferência é de uma poesia singular e ele finaliza com mandato:
“A missão própria da Igreja é introduzir as pessoas à natureza do mistério como antídoto ao espetáculo.”
O Papa Leão é realmente uma figura para nossos tempos. Em artigo recente do Washington Post, a editora Julia Yost observa que o catolicismo vem ganhando mais adeptos ultimamente justamente pelo poder das suas imagens numa era dominada pelo Instagram e pelo TikTok.
Ela aponta que a cultura da internet atual é visual e pós-literária. Nesse ambiente, o “drip católico”, como ela chama, com seus ícones, incenso, terços, véus e a liturgia de cores ricas, encontra terreno fértil.
Yost conclui seu artigo com uma frase que ressoa diretamente com o papado de Leão XIV: “a Igreja Católica oferece, para uma geração entediada com a liberdade infinita, algo raro — regras para viver, e uma imagem de mundo alternativa ao espetáculo vazio.” Até o vocabulário é o mesmo: a palavra espetáculo volta a se repetir.
As imagens que nos são trazidas pela arte e pela cultura têm a vocação específica de despertar em nós outros modos de agir e ser no mundo.
Sem uma imaginação rica, é impossível articular soluções para nossa vida e criar novos caminhos de santidade. Uma imaginação fértil e ordenada é uma ferramenta crucial no processo de santificação. Ao passo que uma imaginação viciada e corrompida por ideologias é um elemento altamente restritivo na busca por uma união com Deus.
Portanto, o Papa reconhece e enfatiza a necessidade elementar de criarmos expressões visíveis da nossa fé que abram a imaginação das pessoas para uma nova possibilidade de convívio. É um papado que tem sido marcado desde o início por uma nova proposta de imaginação católica. Considero isso a primeira e mais importante ação de evangelização. Com o Papa Leão, inauguramos uma nova instância no apostolado da imaginação.
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