Biografia de Santo Agostinho: vida, conversão e obras que marcaram a Igreja Católica  
Por Redação Lumine
|
29.ago.2025
Midle Dot


Santo Agostinho de Hipona (354–430 D.C) é um nome central na história do ocidente. Sua biografia revela a jornada de um jovem inquieto, que experimentou as paixões do mundo antes de se tornar um dos maiores doutores da Igreja. Conhecido como o Doutor da Graça, Agostinho deixou obras que moldaram não apenas a teologia católica, mas também a filosofia ocidental. Sua vida é marcada por uma intensa busca da verdade, que o levou do maniqueísmo ao cristianismo, e seu legado continua vivo em debates, ordens religiosas, produções culturais e no pensamento da Igreja.

Quem foi Santo Agostinho? 

Nascido em Tagaste, no norte da África, Santo Agostinho cresceu em meio ao contraste da vida de seus pais: sua mãe, Santa Mônica, foi um exemplo de fé perseverante, rezando incessantemente por sua conversão, enquanto seu pai, pagão até os últimos dias, não compartilhava da mesma religiosidade. Desde jovem, Agostinho mostrou uma inteligência brilhante e um talento incomum para a retórica, o que lhe abriu portas no mundo acadêmico e político do Império Romano. Porém, junto desse dom, também veio uma intensa inquietação interior: ele se deixava levar pelos prazeres, buscava reconhecimento e entregava-se a uma vida desregrada, como ele mesmo confessaria anos depois em sua célebre obra Confissões.

Em meio a essa busca desenfreada, a leitura do Hortênsio, de Cícero, despertou em Agostinho o amor pela filosofia e pela verdade, mas nem mesmo esse encontro com a razão clássica saciou sua sede espiritual. Durante quase uma década, seguiu o maniqueísmo, acreditando ter encontrado explicações convincentes para o bem e o mal, mas logo se decepcionou com sua fragilidade intelectual. Em seguida, o neoplatonismo lhe ofereceu vislumbres da realidade espiritual e o aproximou da ideia de Deus, mas foi apenas em Milão, ao ouvir a eloquência e a profundidade das pregações de Santo Ambrósio, que seu coração começou a se abrir de fato ao cristianismo.

A conversão de Santo Agostinho 

O ponto decisivo de sua vida aconteceu em um jardim, em 386 D.C, quando, tomado pela angústia de sua luta interior, ouviu uma voz infantil repetindo as palavras “tolle lege” (“toma e lê”). Obedecendo ao chamado, abriu a Bíblia e encontrou uma passagem que o exortava a abandonar os vícios e revestir-se de Cristo. Esse instante marcou sua conversão definitiva: não foi apenas um despertar do intelecto à verdade, mas uma rendição profunda do coração. No ano seguinte, em 387 D.C, recebeu o batismo das mãos de Santo Ambrósio, ao lado de seu filho Adeodato, iniciando uma nova vida marcada pelo amor à verdade, pela busca de Deus e pelo desejo ardente de orientar outros nessa mesma caminhada.

O que Santo Agostinho defendia?

Quando se tornou bispo de Hipona, Santo Agostinho se destacou não apenas pela sua espiritualidade, mas também pela firmeza intelectual com que enfrentou as grandes controvérsias teológicas do seu tempo. Ele se tornou uma voz decisiva contra as principais heresias que ameaçavam a unidade e a fé da Igreja.

Contra os maniqueus, grupo ao qual ele mesmo pertencera por nove anos, Agostinho mostrou que o mal não é uma força eterna em oposição ao bem, mas sim a ausência do bem, uma corrupção daquilo que foi criado bom por Deus. Essa visão revolucionária desfez a crença dualista e lançou bases sólidas para a compreensão cristã do mal e do pecado.

Diante dos donatistas, que defendiam que os sacramentos só tinham valor se ministrados por padres ou bispos moralmente puros, Agostinho ensinou que a eficácia dos sacramentos não depende da santidade pessoal do ministro, mas da graça de Cristo, que age independentemente das fraquezas humanas. Esse ensinamento preservou a confiança dos fiéis na vida sacramental da Igreja.

Já contra os pelagianos, que negavam a necessidade da graça e defendiam que o ser humano poderia salvar-se apenas com sua própria força moral, Agostinho proclamou com firmeza que o homem é radicalmente dependente da graça de Deus para ser salvo. Somente a ação divina pode curar as feridas do pecado e conduzir à verdadeira liberdade.

Por essas contribuições, foi reconhecido com o título de Doutor da Graça, um dos maiores legados de sua teologia. Até hoje, sua reflexão ilumina debates sobre a relação entre liberdade humana e ação divina, revelando o equilíbrio entre responsabilidade pessoal e o dom gratuito da salvação em Cristo.

As principais obras de Santo Agostinho 

A produção literária de Santo Agostinho é uma das mais ricas e influentes da tradição cristã. Estima-se que tenha escrito mais de cinco milhões de palavras, com mais de 100 títulos reconhecidos, cartas e sermões, que moldaram profundamente a filosofia e a teologia ocidental. Suas idéias atravessaram os séculos e são hoje estudadas e meditadas em universidades, tornando-se  leituras obrigatórias para quem busca por uma literatura espiritual. A seguir, conheça suas principais obras:

Confissões 

Reconhecida como a primeira autobiografia espiritual da história, nesta obra, Agostinho narra sua vida como um caminho marcado pela busca da verdade, pelos erros da juventude, pelo despertar interior e pela conversão a Cristo. Escrita em forma de oração, apresenta um diálogo entre o homem e Deus, no qual a experiência pessoal de Agostinho se transforma em reflexão universal sobre o sentido da existência e o desejo humano de plenitude.

A Cidade de Deus 

Escrita em resposta ao saque de Roma em 410 D.C, quando muitos acusaram o cristianismo de enfraquecer o Império, A Cidade de Deus é um tratado que atravessa história, filosofia e teologia. Santo Agostinho apresenta a distinção entre a “cidade dos homens”, marcada pela busca do poder e do interesse próprio, e a “Cidade de Deus”, formada por aqueles que vivem segundo a vontade divina.

A Trindade 

Em De Trinitate, Agostinho enfrenta o desafio de pensar racionalmente o mistério central da fé cristã: um só Deus em três pessoas. A obra desenvolve analogias para tornar esse mistério mais compreensível, relacionando a vida da mente humana — memória, inteligência e vontade — com a vida trinitária. O texto não pretende reduzir o mistério a conceitos, mas mostrar que a fé pode dialogar com a razão, abrindo caminho para uma compreensão mais consciente e madura daquilo que a Igreja Católica professa.

Sobre a Doutrina Cristã

De Doctrina Christiana é um manual dedicado sobretudo a pregadores e mestres da fé. Santo Agostinho ensina a interpretar corretamente a Sagrada Escritura, distinguindo entre sentido literal e simbólico, e mostra como transmitir o conteúdo bíblico de forma clara e persuasiva. A obra evidencia sua preocupação pastoral: a verdade da fé não deve ficar restrita ao estudo intelectual, mas ser comunicada de modo que alcance e transforme a vida daqueles que a ouvem. 

Sermões 

Mais de 500 sermões de Agostinho chegaram até nós, revelando sua atividade cotidiana como bispo. Nessas pregações, ele interpreta passagens bíblicas, aplica-as às situações concretas da comunidade e orienta os fiéis em temas como a caridade, a justiça, a humildade e a vida eterna. Sua linguagem é direta, marcada pela proximidade com o povo, mas sem perder a profundidade teológica. São testemunhos vivos de um pastor que buscava unir a clareza da Palavra de Deus às necessidades concretas de seu rebanho. 

Cartas

As cerca de 300 cartas preservadas permitem acompanhar Agostinho fora do púlpito e dos tratados. Dirigidas a amigos, bispos, autoridades civis e até opositores, elas tratam de questões doutrinais, problemas pastorais e dilemas políticos de sua época. Esses escritos formam um registro histórico e intelectual de primeira ordem, mostrando como Santo Agostinho articulava sua reflexão teológica com os desafios sociais e eclesiais de seu tempo.

Sobre o Livre-Arbítrio

Escrito ainda em sua juventude, De Libero Arbitrio investiga a origem do mal e o papel da liberdade humana. Contra o maniqueísmo, que atribuía ao mal uma substância própria, Santo Agostinho afirma que ele nasce do mau uso da liberdade. A obra explora a tensão entre responsabilidade moral e dependência da graça, introduzindo questões que marcaram todo o seu pensamento. 

Comentários sobre os Salmos 

Reunidos sob o título Enarrationes in Psalmos, esses comentários são fruto de homilias pregadas ao longo dos anos. Santo Agostinho interpreta os salmos tanto no seu sentido histórico quanto espiritual, relacionando-os à vida de Cristo e da Igreja. Ao mesmo tempo, traduz em linguagem acessível o conteúdo teológico, aproximando a Escritura do cotidiano dos fiéis.

Agostinianos: a ordem do Papa Leão XIV 


Da experiência espiritual do Doutor da Graça, nasceu a Ordem de Santo Agostinho, uma das mais antigas da Igreja. Sua base está na Regra de Santo Agostinho, um pequeno texto escrito pelo bispo de Hipona para orientar comunidades cristãs que desejavam viver em comum. Nela, Agostinho destaca três pilares: a vida comunitária como sinal do Reino de Deus, a busca constante da verdade através do estudo e da oração, e a prática da caridade como laço que une os irmãos.

Embora inspirada diretamente na Regra agostiniana, a Ordem como instituição só se consolidou no século XIII, quando vários grupos de eremitas e comunidades religiosas foram unificados pelo Papa Inocêncio IV e, mais tarde, confirmados oficialmente por Alexandre IV em 1256. A partir daí, os agostinianos espalharam-se pelo mundo, levando adiante não apenas a espiritualidade de seu fundador, mas também seu zelo intelectual, missionário e pastoral. 

Hoje, a Ordem de Santo Agostinho continua viva e atuante em 42 países, incluindo o Brasil, e conta com cerca de 2,6 mil religiosos. Entre seus membros mais notáveis está o Papa Leão XIV Robertus Franciscus Prevost. Sua presença reforça como os agostinianos seguem tendo papel relevante na condução da Igreja de Cristo.

A espiritualidade agostiniana valoriza a interioridade, a comunhão fraterna e a busca incansável da Verdade, que para Agostinho é Cristo. O lema da Ordem resume essa essência: “Um só coração e uma só alma dirigidos para Deus” (At 4,32). Os agostinianos acreditam que a verdadeira liberdade humana nasce da graça divina e que o amor é o fundamento da vida cristã, tanto pessoal quanto comunitária  

Orando com Santo Agostinho 

Senhor, a ti que desejo ir: o que te peço, ainda, é que digas como alcançar-te. Se nos abandonas, perecemos. Mas tu não nos abandonas, porque é o sumo bem, a quem todos encontram, quando retamente te procuram. Ensina-me, pois, ó Pai, a procurar-te, liberta-me do erro, faze que, na minha busca, nada que não seja tu apresente-se em meu caminho. Pois, visto ser verdade que a ninguém mais desejo senão a ti, fazei, eu te suplico, ó Pai, que eu possa encontrar-te.

Mas, se ainda subsiste em mim algum desejo vão, despoja-me dele. Purifica-me, tu mesmo, e torna-me capaz de te ver. Permite-me, enquanto tiver de conduzir e levar este meu corpo, que eu seja puro, magnânimo, justo e prudente, perfeito amante e conhecedor de tua sabedoria. Torna-me digno da tua morada e que possa assim vir a habitar no teu beatíssimo Reino. Assim seja! (Solilóquios 1,6 )

Santo Agostinho, rogai por nós!

O melhor filme sobre Santo Agostinho para crianças 

A biografia de Santo Agostinho é um belo exemplo de como qualquer pecador, inspirado pela graça de Deus, pode vir a ser um grande homem. Saber essa história e contá-la no dia a dia, principalmente para crianças, reforça a importância do arrependimento e do amor à Verdade acima de todas as coisas.

E colocar Santo Agostinho e o Roubo das Peras para os seus filhos assistirem é a forma perfeita de fazer isso. Afinal, depois de arquitetar o roubo de umas peras com seus amigos, o jovem Agostinho sofre uma crise de consciência e passa a rever as consequências de suas ações.

Clique aqui para conhecer esse e outras centenas de filmes inspiradores. 

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Santo Agostinho de Hipona (354–430 D.C) é um nome central na história do ocidente. Sua biografia revela a jornada de um jovem inquieto, que experimentou as paixões do mundo antes de se tornar um dos maiores doutores da Igreja. Conhecido como o Doutor da Graça, Agostinho deixou obras que moldaram não apenas a teologia católica, mas também a filosofia ocidental. Sua vida é marcada por uma intensa busca da verdade, que o levou do maniqueísmo ao cristianismo, e seu legado continua vivo em debates, ordens religiosas, produções culturais e no pensamento da Igreja.

Quem foi Santo Agostinho? 

Nascido em Tagaste, no norte da África, Santo Agostinho cresceu em meio ao contraste da vida de seus pais: sua mãe, Santa Mônica, foi um exemplo de fé perseverante, rezando incessantemente por sua conversão, enquanto seu pai, pagão até os últimos dias, não compartilhava da mesma religiosidade. Desde jovem, Agostinho mostrou uma inteligência brilhante e um talento incomum para a retórica, o que lhe abriu portas no mundo acadêmico e político do Império Romano. Porém, junto desse dom, também veio uma intensa inquietação interior: ele se deixava levar pelos prazeres, buscava reconhecimento e entregava-se a uma vida desregrada, como ele mesmo confessaria anos depois em sua célebre obra Confissões.

Em meio a essa busca desenfreada, a leitura do Hortênsio, de Cícero, despertou em Agostinho o amor pela filosofia e pela verdade, mas nem mesmo esse encontro com a razão clássica saciou sua sede espiritual. Durante quase uma década, seguiu o maniqueísmo, acreditando ter encontrado explicações convincentes para o bem e o mal, mas logo se decepcionou com sua fragilidade intelectual. Em seguida, o neoplatonismo lhe ofereceu vislumbres da realidade espiritual e o aproximou da ideia de Deus, mas foi apenas em Milão, ao ouvir a eloquência e a profundidade das pregações de Santo Ambrósio, que seu coração começou a se abrir de fato ao cristianismo.

A conversão de Santo Agostinho 

O ponto decisivo de sua vida aconteceu em um jardim, em 386 D.C, quando, tomado pela angústia de sua luta interior, ouviu uma voz infantil repetindo as palavras “tolle lege” (“toma e lê”). Obedecendo ao chamado, abriu a Bíblia e encontrou uma passagem que o exortava a abandonar os vícios e revestir-se de Cristo. Esse instante marcou sua conversão definitiva: não foi apenas um despertar do intelecto à verdade, mas uma rendição profunda do coração. No ano seguinte, em 387 D.C, recebeu o batismo das mãos de Santo Ambrósio, ao lado de seu filho Adeodato, iniciando uma nova vida marcada pelo amor à verdade, pela busca de Deus e pelo desejo ardente de orientar outros nessa mesma caminhada.

O que Santo Agostinho defendia?

Quando se tornou bispo de Hipona, Santo Agostinho se destacou não apenas pela sua espiritualidade, mas também pela firmeza intelectual com que enfrentou as grandes controvérsias teológicas do seu tempo. Ele se tornou uma voz decisiva contra as principais heresias que ameaçavam a unidade e a fé da Igreja.

Contra os maniqueus, grupo ao qual ele mesmo pertencera por nove anos, Agostinho mostrou que o mal não é uma força eterna em oposição ao bem, mas sim a ausência do bem, uma corrupção daquilo que foi criado bom por Deus. Essa visão revolucionária desfez a crença dualista e lançou bases sólidas para a compreensão cristã do mal e do pecado.

Diante dos donatistas, que defendiam que os sacramentos só tinham valor se ministrados por padres ou bispos moralmente puros, Agostinho ensinou que a eficácia dos sacramentos não depende da santidade pessoal do ministro, mas da graça de Cristo, que age independentemente das fraquezas humanas. Esse ensinamento preservou a confiança dos fiéis na vida sacramental da Igreja.

Já contra os pelagianos, que negavam a necessidade da graça e defendiam que o ser humano poderia salvar-se apenas com sua própria força moral, Agostinho proclamou com firmeza que o homem é radicalmente dependente da graça de Deus para ser salvo. Somente a ação divina pode curar as feridas do pecado e conduzir à verdadeira liberdade.

Por essas contribuições, foi reconhecido com o título de Doutor da Graça, um dos maiores legados de sua teologia. Até hoje, sua reflexão ilumina debates sobre a relação entre liberdade humana e ação divina, revelando o equilíbrio entre responsabilidade pessoal e o dom gratuito da salvação em Cristo.

As principais obras de Santo Agostinho 

A produção literária de Santo Agostinho é uma das mais ricas e influentes da tradição cristã. Estima-se que tenha escrito mais de cinco milhões de palavras, com mais de 100 títulos reconhecidos, cartas e sermões, que moldaram profundamente a filosofia e a teologia ocidental. Suas idéias atravessaram os séculos e são hoje estudadas e meditadas em universidades, tornando-se  leituras obrigatórias para quem busca por uma literatura espiritual. A seguir, conheça suas principais obras:

Confissões 

Reconhecida como a primeira autobiografia espiritual da história, nesta obra, Agostinho narra sua vida como um caminho marcado pela busca da verdade, pelos erros da juventude, pelo despertar interior e pela conversão a Cristo. Escrita em forma de oração, apresenta um diálogo entre o homem e Deus, no qual a experiência pessoal de Agostinho se transforma em reflexão universal sobre o sentido da existência e o desejo humano de plenitude.

A Cidade de Deus 

Escrita em resposta ao saque de Roma em 410 D.C, quando muitos acusaram o cristianismo de enfraquecer o Império, A Cidade de Deus é um tratado que atravessa história, filosofia e teologia. Santo Agostinho apresenta a distinção entre a “cidade dos homens”, marcada pela busca do poder e do interesse próprio, e a “Cidade de Deus”, formada por aqueles que vivem segundo a vontade divina.

A Trindade 

Em De Trinitate, Agostinho enfrenta o desafio de pensar racionalmente o mistério central da fé cristã: um só Deus em três pessoas. A obra desenvolve analogias para tornar esse mistério mais compreensível, relacionando a vida da mente humana — memória, inteligência e vontade — com a vida trinitária. O texto não pretende reduzir o mistério a conceitos, mas mostrar que a fé pode dialogar com a razão, abrindo caminho para uma compreensão mais consciente e madura daquilo que a Igreja Católica professa.

Sobre a Doutrina Cristã

De Doctrina Christiana é um manual dedicado sobretudo a pregadores e mestres da fé. Santo Agostinho ensina a interpretar corretamente a Sagrada Escritura, distinguindo entre sentido literal e simbólico, e mostra como transmitir o conteúdo bíblico de forma clara e persuasiva. A obra evidencia sua preocupação pastoral: a verdade da fé não deve ficar restrita ao estudo intelectual, mas ser comunicada de modo que alcance e transforme a vida daqueles que a ouvem. 

Sermões 

Mais de 500 sermões de Agostinho chegaram até nós, revelando sua atividade cotidiana como bispo. Nessas pregações, ele interpreta passagens bíblicas, aplica-as às situações concretas da comunidade e orienta os fiéis em temas como a caridade, a justiça, a humildade e a vida eterna. Sua linguagem é direta, marcada pela proximidade com o povo, mas sem perder a profundidade teológica. São testemunhos vivos de um pastor que buscava unir a clareza da Palavra de Deus às necessidades concretas de seu rebanho. 

Cartas

As cerca de 300 cartas preservadas permitem acompanhar Agostinho fora do púlpito e dos tratados. Dirigidas a amigos, bispos, autoridades civis e até opositores, elas tratam de questões doutrinais, problemas pastorais e dilemas políticos de sua época. Esses escritos formam um registro histórico e intelectual de primeira ordem, mostrando como Santo Agostinho articulava sua reflexão teológica com os desafios sociais e eclesiais de seu tempo.

Sobre o Livre-Arbítrio

Escrito ainda em sua juventude, De Libero Arbitrio investiga a origem do mal e o papel da liberdade humana. Contra o maniqueísmo, que atribuía ao mal uma substância própria, Santo Agostinho afirma que ele nasce do mau uso da liberdade. A obra explora a tensão entre responsabilidade moral e dependência da graça, introduzindo questões que marcaram todo o seu pensamento. 

Comentários sobre os Salmos 

Reunidos sob o título Enarrationes in Psalmos, esses comentários são fruto de homilias pregadas ao longo dos anos. Santo Agostinho interpreta os salmos tanto no seu sentido histórico quanto espiritual, relacionando-os à vida de Cristo e da Igreja. Ao mesmo tempo, traduz em linguagem acessível o conteúdo teológico, aproximando a Escritura do cotidiano dos fiéis.

Agostinianos: a ordem do Papa Leão XIV 


Da experiência espiritual do Doutor da Graça, nasceu a Ordem de Santo Agostinho, uma das mais antigas da Igreja. Sua base está na Regra de Santo Agostinho, um pequeno texto escrito pelo bispo de Hipona para orientar comunidades cristãs que desejavam viver em comum. Nela, Agostinho destaca três pilares: a vida comunitária como sinal do Reino de Deus, a busca constante da verdade através do estudo e da oração, e a prática da caridade como laço que une os irmãos.

Embora inspirada diretamente na Regra agostiniana, a Ordem como instituição só se consolidou no século XIII, quando vários grupos de eremitas e comunidades religiosas foram unificados pelo Papa Inocêncio IV e, mais tarde, confirmados oficialmente por Alexandre IV em 1256. A partir daí, os agostinianos espalharam-se pelo mundo, levando adiante não apenas a espiritualidade de seu fundador, mas também seu zelo intelectual, missionário e pastoral. 

Hoje, a Ordem de Santo Agostinho continua viva e atuante em 42 países, incluindo o Brasil, e conta com cerca de 2,6 mil religiosos. Entre seus membros mais notáveis está o Papa Leão XIV Robertus Franciscus Prevost. Sua presença reforça como os agostinianos seguem tendo papel relevante na condução da Igreja de Cristo.

A espiritualidade agostiniana valoriza a interioridade, a comunhão fraterna e a busca incansável da Verdade, que para Agostinho é Cristo. O lema da Ordem resume essa essência: “Um só coração e uma só alma dirigidos para Deus” (At 4,32). Os agostinianos acreditam que a verdadeira liberdade humana nasce da graça divina e que o amor é o fundamento da vida cristã, tanto pessoal quanto comunitária  

Orando com Santo Agostinho 

Senhor, a ti que desejo ir: o que te peço, ainda, é que digas como alcançar-te. Se nos abandonas, perecemos. Mas tu não nos abandonas, porque é o sumo bem, a quem todos encontram, quando retamente te procuram. Ensina-me, pois, ó Pai, a procurar-te, liberta-me do erro, faze que, na minha busca, nada que não seja tu apresente-se em meu caminho. Pois, visto ser verdade que a ninguém mais desejo senão a ti, fazei, eu te suplico, ó Pai, que eu possa encontrar-te.

Mas, se ainda subsiste em mim algum desejo vão, despoja-me dele. Purifica-me, tu mesmo, e torna-me capaz de te ver. Permite-me, enquanto tiver de conduzir e levar este meu corpo, que eu seja puro, magnânimo, justo e prudente, perfeito amante e conhecedor de tua sabedoria. Torna-me digno da tua morada e que possa assim vir a habitar no teu beatíssimo Reino. Assim seja! (Solilóquios 1,6 )

Santo Agostinho, rogai por nós!

O melhor filme sobre Santo Agostinho para crianças 

A biografia de Santo Agostinho é um belo exemplo de como qualquer pecador, inspirado pela graça de Deus, pode vir a ser um grande homem. Saber essa história e contá-la no dia a dia, principalmente para crianças, reforça a importância do arrependimento e do amor à Verdade acima de todas as coisas.

E colocar Santo Agostinho e o Roubo das Peras para os seus filhos assistirem é a forma perfeita de fazer isso. Afinal, depois de arquitetar o roubo de umas peras com seus amigos, o jovem Agostinho sofre uma crise de consciência e passa a rever as consequências de suas ações.

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