Para muitos, a figura do coelho rodeado de ovos coloridos parece ser apenas uma invenção do marketing para lucrar com a páscoa — e talvez esse seja mesmo o objetivo de muitos, mas existe algo mais por trás dessa tradição.
Ao investigarmos a origem do coelho da páscoa, descobrimos que esse animal possui raízes profundas na iconografia e na teologia cristã, servindo por séculos como uma “parábola viva” para mistérios da fé, como a Virgindade de Maria e a própria Ressurreição de Cristo.
Na Idade Média, acreditava-se em um fenômeno biológico chamado superfetação — a capacidade de uma lebre conceber uma nova ninhada enquanto ainda estava grávida da primeira. Devido a essa percepção de uma fertilidade quase “milagrosa”, surgiu a crença de que as lebres poderiam se reproduzir de forma assexuada.
Essa “biologia arcaica” foi adotada pela arte sacra como um emblema do Nascimento Virginal de Jesus. É por isso que, em obras renascentistas famosas como a Madona do Coelho (1530), de Ticiano, vemos a Virgem Maria segurando um coelho branco: o animal ali não é um mero detalhe campestre, mas uma afirmação teológica da pureza e da castidade mariana.

Outra evidência está no motivo das “Três Lebres” (ou Hasenfenster), encontradas em catedrais e igrejas da Alemanha e Inglaterra, como a de Paderborn.

O design apresenta três animais correndo em círculo, compartilhando apenas três orelhas no total, de modo que cada coelho parece ter o seu par completo. Para os fiéis medievais, esse enigma visual era uma representação perfeita da Santíssima Trindade: três pessoas distintas compartilhando a mesma essência divina.
A tradição do coelho que traz ovos para as crianças consolidou-se no sudoeste da Alemanha por volta do século XVII. O termo Osterhase (Lebre de Páscoa) aparece pela primeira vez em um ensaio médico de 1682, escrito por Georg Franck von Franckenau.

Sobre o coelho da Páscoa, ele diz o seguinte (em tradução livre):
Na Alsácia e regiões vizinhas, esses ovos são chamados de ovos de coelho devido ao mito que circula para enganar pessoas simples e crianças, fazendo-as acreditar que o Coelho da Páscoa anda por aí botando ovos e escondendo-os nos jardins de ervas. Assim, as crianças os procuram com ainda mais entusiasmo, para a alegria dos adultos sorridentes.
Nessa época, o coelho exercia uma função semelhante à de São Nicolau no Natal: ele agia como um “juiz”, avaliando se as crianças tinham sido obedientes durante a Quaresma antes de esconder ovos coloridos em seus ninhos de chapéus. Foi essa tradição que os imigrantes alemães levaram para os Estados Unidos no século XVIII, espalhando o símbolo pelo mundo.
A conexão entre o coelho e o ovo — que biologicamente não faz sentido — tem uma explicação prática e litúrgica. Durante séculos, a Igreja proibiu o consumo de ovos e carne durante o jejum da Quaresma. Como as galinhas continuavam a pôr ovos nesse período, os fiéis os cozinhavam para preservá-los e, no Domingo de Páscoa, decoravam-nos (muitas vezes de vermelho, simbolizando o sangue de Cristo) para celebrar o fim do jejum.
A Igreja chegou a instituir a Benedictio Ovorum (Bênção dos Ovos) no ritual romano, reconhecendo o ovo como um símbolo do túmulo lacrado de onde Cristo emergiu vitorioso.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforça que, embora o coelho e o chocolate tenham ganhado uma conotação comercial, eles ainda podem remeter ao sentido final da celebração: a festa da vida.
Dom Aloísio A. Dilli, bispo de Santa Cruz do Sul (RS), sugere que o coelho pode simbolizar a “Mãe-Igreja” que, fértil pelo Espírito Santo, gera novos filhos através do batismo na noite de Páscoa.
Assim, ao invés de descartarmos o símbolo, somos convidados a ressignificá-lo, lembrando que a origem do coelho da páscoa está intrinsecamente ligada à alegria de um mundo que, após o inverno da morte, volta a florescer sob a luz da Ressurreição.
Para muitos, a figura do coelho rodeado de ovos coloridos parece ser apenas uma invenção do marketing para lucrar com a páscoa — e talvez esse seja mesmo o objetivo de muitos, mas existe algo mais por trás dessa tradição.
Ao investigarmos a origem do coelho da páscoa, descobrimos que esse animal possui raízes profundas na iconografia e na teologia cristã, servindo por séculos como uma “parábola viva” para mistérios da fé, como a Virgindade de Maria e a própria Ressurreição de Cristo.
Na Idade Média, acreditava-se em um fenômeno biológico chamado superfetação — a capacidade de uma lebre conceber uma nova ninhada enquanto ainda estava grávida da primeira. Devido a essa percepção de uma fertilidade quase “milagrosa”, surgiu a crença de que as lebres poderiam se reproduzir de forma assexuada.
Essa “biologia arcaica” foi adotada pela arte sacra como um emblema do Nascimento Virginal de Jesus. É por isso que, em obras renascentistas famosas como a Madona do Coelho (1530), de Ticiano, vemos a Virgem Maria segurando um coelho branco: o animal ali não é um mero detalhe campestre, mas uma afirmação teológica da pureza e da castidade mariana.

Outra evidência está no motivo das “Três Lebres” (ou Hasenfenster), encontradas em catedrais e igrejas da Alemanha e Inglaterra, como a de Paderborn.

O design apresenta três animais correndo em círculo, compartilhando apenas três orelhas no total, de modo que cada coelho parece ter o seu par completo. Para os fiéis medievais, esse enigma visual era uma representação perfeita da Santíssima Trindade: três pessoas distintas compartilhando a mesma essência divina.
A tradição do coelho que traz ovos para as crianças consolidou-se no sudoeste da Alemanha por volta do século XVII. O termo Osterhase (Lebre de Páscoa) aparece pela primeira vez em um ensaio médico de 1682, escrito por Georg Franck von Franckenau.

Sobre o coelho da Páscoa, ele diz o seguinte (em tradução livre):
Na Alsácia e regiões vizinhas, esses ovos são chamados de ovos de coelho devido ao mito que circula para enganar pessoas simples e crianças, fazendo-as acreditar que o Coelho da Páscoa anda por aí botando ovos e escondendo-os nos jardins de ervas. Assim, as crianças os procuram com ainda mais entusiasmo, para a alegria dos adultos sorridentes.
Nessa época, o coelho exercia uma função semelhante à de São Nicolau no Natal: ele agia como um “juiz”, avaliando se as crianças tinham sido obedientes durante a Quaresma antes de esconder ovos coloridos em seus ninhos de chapéus. Foi essa tradição que os imigrantes alemães levaram para os Estados Unidos no século XVIII, espalhando o símbolo pelo mundo.
A conexão entre o coelho e o ovo — que biologicamente não faz sentido — tem uma explicação prática e litúrgica. Durante séculos, a Igreja proibiu o consumo de ovos e carne durante o jejum da Quaresma. Como as galinhas continuavam a pôr ovos nesse período, os fiéis os cozinhavam para preservá-los e, no Domingo de Páscoa, decoravam-nos (muitas vezes de vermelho, simbolizando o sangue de Cristo) para celebrar o fim do jejum.
A Igreja chegou a instituir a Benedictio Ovorum (Bênção dos Ovos) no ritual romano, reconhecendo o ovo como um símbolo do túmulo lacrado de onde Cristo emergiu vitorioso.
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) reforça que, embora o coelho e o chocolate tenham ganhado uma conotação comercial, eles ainda podem remeter ao sentido final da celebração: a festa da vida.
Dom Aloísio A. Dilli, bispo de Santa Cruz do Sul (RS), sugere que o coelho pode simbolizar a “Mãe-Igreja” que, fértil pelo Espírito Santo, gera novos filhos através do batismo na noite de Páscoa.
Assim, ao invés de descartarmos o símbolo, somos convidados a ressignificá-lo, lembrando que a origem do coelho da páscoa está intrinsecamente ligada à alegria de um mundo que, após o inverno da morte, volta a florescer sob a luz da Ressurreição.
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