Os 5 melhores vencedores do Oscar de todos os tempos: uma visão católica 
Por Redação Lumine
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24.jan.2026
Midle Dot

O histórico recente do Oscar deixa os amantes do cinema um pouco desanimados. Porém, se olharmos o histórico, grandes clássicos do cinema já foram premiados, filmes que marcaram gerações e que nos emocionam até hoje. 

Nesse artigo, vamos celebrar os acertos da Academia, olhar para as obras vencedoras do Prêmio Principal que refletem a densidade e a grandeza da alma humana.

Em artigo recente analisamos os tropeços, neste queremos celebrar os grandes filmes premiados. Na Lumine, acreditamos nos filmes que verdadeira capturam algo de belo, verdadeiro e, consequentemente eterno, ao invés dos filmes “da moda”.

Confira abaixo os 5 melhores vencedores do Oscar de todos os tempos: 

1. Lawrence da Arábia (1962)

T.E. Lawrence é um oficial britânico excêntrico enviado ao deserto durante a Primeira Guerra Mundial para avaliar a revolta árabe contra os turcos. O que deveria ser uma missão diplomática torna-se uma jornada obsessiva, onde Lawrence se transforma em um líder guerrilheiro, perdendo-se entre a lealdade ao seu país e a sua própria lenda.

Este é o “épico dos épicos” e digno dos seus 7 Oscars. Lawrence da Arábia é um dos filmes mais influentes de Hollywood por saber trabalhar com planos abertos e um volume grande de personagens em tela como nunca antes se viu.

Steven Spielberg, diretor de Indiana Jones, Tubarão, Jurassic Park e ET, afirma que assiste ao filme sempre que vai iniciar a produção de um novo filme e o usa como ferramenta de estudos.

O diretor do filme, David Lean, filmou a vastidão do espírito humano e a perigosa linha entre o heroísmo e a megalomania. O personagem principal é fascinante, multifacetado e apresenta dramas reais e profundos. Ele se desenvolve, amadurece e acompanhamos uma jornada humana e real ao longo do filme.

Em sua essência, Lawrence da Arábia nos mostra quão pequeno o homem é diante do deserto e quão grande ele pode ser em sua vontade. 

2. O Poderoso Chefão (1972)

Don Vito Corleone, o patriarca, tenta manter o controle dos negócios enquanto o seu filho mais novo, Michael — que inicialmente queria distância do crime —, é tragado pelo destino e pela necessidade de proteger o clã, tornando-se o novo e implacável sucessor.

Chamar O Poderoso Chefão de “filme de máfia” é como chamar a Divina Comédia de “livro de viagem”. É uma tragédia clássica sobre a corrupção da inocência. O filme mereceu o Oscar porque elevou o cinema comercial ao nível da alta literatura, provando que é possível falar de violência enquanto se discute a estrutura da sociedade e da alma humana.

A consagração não veio apenas em aplausos, mas em números: o primeiro filme conquistou 3 estatuetas fundamentais — Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator para Marlon Brando. O impacto foi tão profundo que a saga retornou dois anos depois com a Parte II, arrebatando outros 6 Oscars (incluindo Melhor Filme e Diretor) e tornando-se a primeira sequência da história a vencer a categoria principal

No total, a família Corleone acumulou 9 estatuetas, um feito que reflete a criação de uma obra que, diferente de muitos vencedores esquecíveis, só melhora com o passar das décadas.

3. O Franco Atirador (1978)

Três operários de uma pequena cidade siderúrgica na Pensilvânia  vivem a rotina dos rituais comunitários: o trabalho exaustivo, a bebedeira no bar local e a caça ao cervo nas montanhas. Essa normalidade é estraçalhada quando eles são enviados para o Vietnã. O Franco Atirador não foca na estratégia militar e no que é vivido diante do front, mas na desintegração da alma desses homens, que sobrevivem à tortura física para sucumbir a um vazio existencial incurável no retorno para casa. 

Quando assistimos ao filme pela primeira vez, ficamos maravilhados com a sua construção primorosa, com o seu senso imagético prodigioso, com a unidade e a harmonia do universo de ficção que nos é apresentado.

Ao mesmo tempo, também nos maravilhamos com a sua espontaneidade, com o vigor da direção e das atuações, com a veemente energia que perpassa as suas composições, as suas atuações, o encadeamento dos acontecimentos, a relação entre cada corte e cada olhar trocado entre as personagens, a sua simbologia, a sua tragédia.

Quando assistimos ao filme pela segunda vez (ou terceira, ou quarta…) e já conhecemos a conclusão do filme, já sabemos do destino dos jovens amigos daquela pequena cidade, tudo adquire uma gravidade mais intensa.

De repente, cada frase, cada gesto, cada corte, cada panorama, todos os elementos naturais e artificiais, são contaminados pela melancolia que estava latente nos acordes da Cavatina de Myers (música que abre o filme e que retornará em momentos específicos).

Uma beleza tão precisa, tão violenta e tão rara que poucas vezes o cinema conseguiu produzir.

A obra revela que a verdadeira guerra não termina no cessar-fogo, mas continua ecoando no silêncio de quem não consegue mais se reintegrar à normalidade do cotidiano.

4. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

A conclusão da saga monumental de J.R.R. Tolkien chega ao seu ápice. Enquanto os exércitos dos homens se reúnem para uma última e desesperada resistência nos campos de Gondor, dois pequenos hobbits, Frodo e Sam, caminham pelo coração das trevas para destruir a raiz de todo o mal. É o clímax de uma luta espiritual entre o peso do poder corruptor e a força da fidelidade.

Historicamente, a Academia tende a tratar o gênero fantástico como um escapismo menor, mas aqui ela foi rendida pela pura grandeza da obra. Peter Jackson conseguiu transpor para as telas o conceito de “eucatástrofe” de Tolkien — aquela virada repentina e gloriosa onde a esperança triunfa contra todas as probabilidades. O filme brilha porque entende que a verdadeira escala da história não está nos exércitos de Gondor, mas na resistência exausta de dois amigos no Monte da Perdição.

Essa densidade moral e técnica foi reconhecida com um feito que beira o milagre em Hollywood: o filme detém o recorde de 11 Oscars, vencendo em absolutamente todas as categorias em que foi indicado. Ao garantir o prêmio de Melhor Filme e Melhor Direção, a Academia finalmente admitiu que a fantasia, quando ancorada na verdade humana, é o mais puro cinema.  

5. O Silêncio dos Inocentes (1991)

Clarice Starling, uma jovem e ambiciosa estagiária do FBI, é enviada para entrevistar o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra e assassino canibal. O objetivo é obter pistas sobre um novo serial killer, “Buffalo Bill”.  O que era para ser apenas uma investigação torna-se um duelo psicológico onde Clarice deve enfrentar seus traumas de infância para conseguir a ajuda de Lecter.

“…Nunca, desde M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, ou Vergonha, de Ingmar Bergman, esteve o cinema tão perto de realizar um intuito equiparável ao da tragédia grega, que, nas palavras de Aristóteles, era o de inspirar “terror e piedade”, ou, mais precisamente, a piedade por meio do terror: purificar a alma do homem e incliná-lo ao bem pela visão do absurdo e do mal inerentes à ordem cósmica.” — Olavo de Carvalho

O filme é um exemplo raro de como o cinema pode usar um gênero popular — o suspense — para tratar de temas profundos e simbólicos. Ao invés de ser apenas uma “caçada policial”, O Silêncio dos Inocentes é uma jornada de descida à escuridão. Clarice Starling assume o papel da heroína que precisa descer aos “porões” (a cela de Lecter) para consultar um tipo de oráculo sombrio. Lecter, embora maligno, atua como um mestre cruel que obriga Clarice a encarar a verdade sobre si mesma — o “grito dos cordeiros” de seu passado — como preço para salvar uma vida no presente.

Essa densidade simbólica, unida a uma tensão que nunca subestima a inteligência do público, fez com que o filme entrasse para o raríssimo clube dos “Big Five”, vencendo as cinco categorias principais do Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Jodie Foster) e Melhor Ator (Anthony Hopkins)

Menções honrosas: os gigantes que ficaram de fora do Top 5 

Como há muitos filmes bons que conquistaram o Oscar, sabemos que uma lista com 5 posições é insuficiente para honrar tantas décadas de história. Existem obras que, embora não tenham entrado no nosso ranking, são gigantes e representam o que há de melhor no cinema. Para não sermos injustos, aqui estão outros vencedores que poderiam, facilmente, ocupar o primeiro lugar: 

Os Imperdoáveis (1992)

Clint Eastwood destrói o mito do “bang-bang” heróico para revelar a podridão espiritual da violência. Aqui, matar um homem não é um ato de bravura, mas “algo terrível; você tira tudo o que ele tem e tudo o que ele poderia vir a ter”. É um filme sombrio sobre o peso do pecado, o arrependimento e a impossibilidade de fugir de quem fomos no passado.

Sindicato de Ladrões (1954)

Marlon Brando entrega uma atuação espetacular sobre o despertar da consciência individual. É o drama de um homem que descobre que o silêncio diante da corrupção é uma forma de suicídio espiritual. O filme é um lembrete incômodo de que pertencer a um grupo nunca deve custar a sua integridade diante da verdade.

Rocky:  um lutador (1976) 

Rocky Balboa não luta pela glória do título, mas pela necessidade quase metafísica de provar que não é “apenas mais um vagabundo do bairro”. A obra celebra a virtude da fortaleza em sua forma mais pura: o triunfo aqui não reside no nocaute do adversário, mas na ascese de suportar o castigo e permanecer de pé até o último gongo.

Poderoso Chefão: Parte II (1974) 

Uma das maiores tragédias já filmadas. Ao contrastar a ascensão humilde de Vito Corleone com a queda espiritual de Michael, o filme mostra como o poder, quando desvinculado da caridade e da ética, destrói justamente aquilo que o homem mais tentava proteger: a sua família. 

Casablanca (1942) 

Rick Blaine começa a trama escondido sob uma neutralidade cínica — o refúgio típico de quem prefere não sofrer a ter que agir —, mas termina compreendendo que existem causas que exigem o sacrifício do próprio coração. 

O roteiro subverte o clichê romântico moderno ao mostrar que o amor, quando maduro, deixa de ser posse para se tornar renúncia. Rick e Ilsa não se separam por falta de paixão, mas porque descobriram que a honra e o dever moral são as únicas âncoras capazes de sustentar a dignidade de um homem em um mundo em chamas.

*** 

Ao olhar para essa lista, percebemos que o selo de “Melhor Filme” só faz sentido quando aponta para algo que não envelhece. 

O cinema que realmente importa não nos oferece respostas prontas ou anestesia para os sentidos; pelo contrário, ele nos convida a uma investigação honesta sobre a nossa própria alma e o nosso próprio lugar no mundo.

Se você busca histórias que respeitem a sua inteligência e elevem a sua sensibilidade, o seu lugar é na Lumine.

Do cinema clássico aos documentários que exploram a fé e a condição humana, oferecemos uma experiência que não termina quando os créditos sobem. 

Assista ao melhor do cinema, gratuitamente, por 7 dias. 

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O histórico recente do Oscar deixa os amantes do cinema um pouco desanimados. Porém, se olharmos o histórico, grandes clássicos do cinema já foram premiados, filmes que marcaram gerações e que nos emocionam até hoje. 

Nesse artigo, vamos celebrar os acertos da Academia, olhar para as obras vencedoras do Prêmio Principal que refletem a densidade e a grandeza da alma humana.

Em artigo recente analisamos os tropeços, neste queremos celebrar os grandes filmes premiados. Na Lumine, acreditamos nos filmes que verdadeira capturam algo de belo, verdadeiro e, consequentemente eterno, ao invés dos filmes “da moda”.

Confira abaixo os 5 melhores vencedores do Oscar de todos os tempos: 

1. Lawrence da Arábia (1962)

T.E. Lawrence é um oficial britânico excêntrico enviado ao deserto durante a Primeira Guerra Mundial para avaliar a revolta árabe contra os turcos. O que deveria ser uma missão diplomática torna-se uma jornada obsessiva, onde Lawrence se transforma em um líder guerrilheiro, perdendo-se entre a lealdade ao seu país e a sua própria lenda.

Este é o “épico dos épicos” e digno dos seus 7 Oscars. Lawrence da Arábia é um dos filmes mais influentes de Hollywood por saber trabalhar com planos abertos e um volume grande de personagens em tela como nunca antes se viu.

Steven Spielberg, diretor de Indiana Jones, Tubarão, Jurassic Park e ET, afirma que assiste ao filme sempre que vai iniciar a produção de um novo filme e o usa como ferramenta de estudos.

O diretor do filme, David Lean, filmou a vastidão do espírito humano e a perigosa linha entre o heroísmo e a megalomania. O personagem principal é fascinante, multifacetado e apresenta dramas reais e profundos. Ele se desenvolve, amadurece e acompanhamos uma jornada humana e real ao longo do filme.

Em sua essência, Lawrence da Arábia nos mostra quão pequeno o homem é diante do deserto e quão grande ele pode ser em sua vontade. 

2. O Poderoso Chefão (1972)

Don Vito Corleone, o patriarca, tenta manter o controle dos negócios enquanto o seu filho mais novo, Michael — que inicialmente queria distância do crime —, é tragado pelo destino e pela necessidade de proteger o clã, tornando-se o novo e implacável sucessor.

Chamar O Poderoso Chefão de “filme de máfia” é como chamar a Divina Comédia de “livro de viagem”. É uma tragédia clássica sobre a corrupção da inocência. O filme mereceu o Oscar porque elevou o cinema comercial ao nível da alta literatura, provando que é possível falar de violência enquanto se discute a estrutura da sociedade e da alma humana.

A consagração não veio apenas em aplausos, mas em números: o primeiro filme conquistou 3 estatuetas fundamentais — Melhor Filme, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Ator para Marlon Brando. O impacto foi tão profundo que a saga retornou dois anos depois com a Parte II, arrebatando outros 6 Oscars (incluindo Melhor Filme e Diretor) e tornando-se a primeira sequência da história a vencer a categoria principal

No total, a família Corleone acumulou 9 estatuetas, um feito que reflete a criação de uma obra que, diferente de muitos vencedores esquecíveis, só melhora com o passar das décadas.

3. O Franco Atirador (1978)

Três operários de uma pequena cidade siderúrgica na Pensilvânia  vivem a rotina dos rituais comunitários: o trabalho exaustivo, a bebedeira no bar local e a caça ao cervo nas montanhas. Essa normalidade é estraçalhada quando eles são enviados para o Vietnã. O Franco Atirador não foca na estratégia militar e no que é vivido diante do front, mas na desintegração da alma desses homens, que sobrevivem à tortura física para sucumbir a um vazio existencial incurável no retorno para casa. 

Quando assistimos ao filme pela primeira vez, ficamos maravilhados com a sua construção primorosa, com o seu senso imagético prodigioso, com a unidade e a harmonia do universo de ficção que nos é apresentado.

Ao mesmo tempo, também nos maravilhamos com a sua espontaneidade, com o vigor da direção e das atuações, com a veemente energia que perpassa as suas composições, as suas atuações, o encadeamento dos acontecimentos, a relação entre cada corte e cada olhar trocado entre as personagens, a sua simbologia, a sua tragédia.

Quando assistimos ao filme pela segunda vez (ou terceira, ou quarta…) e já conhecemos a conclusão do filme, já sabemos do destino dos jovens amigos daquela pequena cidade, tudo adquire uma gravidade mais intensa.

De repente, cada frase, cada gesto, cada corte, cada panorama, todos os elementos naturais e artificiais, são contaminados pela melancolia que estava latente nos acordes da Cavatina de Myers (música que abre o filme e que retornará em momentos específicos).

Uma beleza tão precisa, tão violenta e tão rara que poucas vezes o cinema conseguiu produzir.

A obra revela que a verdadeira guerra não termina no cessar-fogo, mas continua ecoando no silêncio de quem não consegue mais se reintegrar à normalidade do cotidiano.

4. O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003)

A conclusão da saga monumental de J.R.R. Tolkien chega ao seu ápice. Enquanto os exércitos dos homens se reúnem para uma última e desesperada resistência nos campos de Gondor, dois pequenos hobbits, Frodo e Sam, caminham pelo coração das trevas para destruir a raiz de todo o mal. É o clímax de uma luta espiritual entre o peso do poder corruptor e a força da fidelidade.

Historicamente, a Academia tende a tratar o gênero fantástico como um escapismo menor, mas aqui ela foi rendida pela pura grandeza da obra. Peter Jackson conseguiu transpor para as telas o conceito de “eucatástrofe” de Tolkien — aquela virada repentina e gloriosa onde a esperança triunfa contra todas as probabilidades. O filme brilha porque entende que a verdadeira escala da história não está nos exércitos de Gondor, mas na resistência exausta de dois amigos no Monte da Perdição.

Essa densidade moral e técnica foi reconhecida com um feito que beira o milagre em Hollywood: o filme detém o recorde de 11 Oscars, vencendo em absolutamente todas as categorias em que foi indicado. Ao garantir o prêmio de Melhor Filme e Melhor Direção, a Academia finalmente admitiu que a fantasia, quando ancorada na verdade humana, é o mais puro cinema.  

5. O Silêncio dos Inocentes (1991)

Clarice Starling, uma jovem e ambiciosa estagiária do FBI, é enviada para entrevistar o Dr. Hannibal Lecter, um brilhante psiquiatra e assassino canibal. O objetivo é obter pistas sobre um novo serial killer, “Buffalo Bill”.  O que era para ser apenas uma investigação torna-se um duelo psicológico onde Clarice deve enfrentar seus traumas de infância para conseguir a ajuda de Lecter.

“…Nunca, desde M, o Vampiro de Düsseldorf, de Fritz Lang, ou Vergonha, de Ingmar Bergman, esteve o cinema tão perto de realizar um intuito equiparável ao da tragédia grega, que, nas palavras de Aristóteles, era o de inspirar “terror e piedade”, ou, mais precisamente, a piedade por meio do terror: purificar a alma do homem e incliná-lo ao bem pela visão do absurdo e do mal inerentes à ordem cósmica.” — Olavo de Carvalho

O filme é um exemplo raro de como o cinema pode usar um gênero popular — o suspense — para tratar de temas profundos e simbólicos. Ao invés de ser apenas uma “caçada policial”, O Silêncio dos Inocentes é uma jornada de descida à escuridão. Clarice Starling assume o papel da heroína que precisa descer aos “porões” (a cela de Lecter) para consultar um tipo de oráculo sombrio. Lecter, embora maligno, atua como um mestre cruel que obriga Clarice a encarar a verdade sobre si mesma — o “grito dos cordeiros” de seu passado — como preço para salvar uma vida no presente.

Essa densidade simbólica, unida a uma tensão que nunca subestima a inteligência do público, fez com que o filme entrasse para o raríssimo clube dos “Big Five”, vencendo as cinco categorias principais do Oscar: Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Atriz (Jodie Foster) e Melhor Ator (Anthony Hopkins)

Menções honrosas: os gigantes que ficaram de fora do Top 5 

Como há muitos filmes bons que conquistaram o Oscar, sabemos que uma lista com 5 posições é insuficiente para honrar tantas décadas de história. Existem obras que, embora não tenham entrado no nosso ranking, são gigantes e representam o que há de melhor no cinema. Para não sermos injustos, aqui estão outros vencedores que poderiam, facilmente, ocupar o primeiro lugar: 

Os Imperdoáveis (1992)

Clint Eastwood destrói o mito do “bang-bang” heróico para revelar a podridão espiritual da violência. Aqui, matar um homem não é um ato de bravura, mas “algo terrível; você tira tudo o que ele tem e tudo o que ele poderia vir a ter”. É um filme sombrio sobre o peso do pecado, o arrependimento e a impossibilidade de fugir de quem fomos no passado.

Sindicato de Ladrões (1954)

Marlon Brando entrega uma atuação espetacular sobre o despertar da consciência individual. É o drama de um homem que descobre que o silêncio diante da corrupção é uma forma de suicídio espiritual. O filme é um lembrete incômodo de que pertencer a um grupo nunca deve custar a sua integridade diante da verdade.

Rocky:  um lutador (1976) 

Rocky Balboa não luta pela glória do título, mas pela necessidade quase metafísica de provar que não é “apenas mais um vagabundo do bairro”. A obra celebra a virtude da fortaleza em sua forma mais pura: o triunfo aqui não reside no nocaute do adversário, mas na ascese de suportar o castigo e permanecer de pé até o último gongo.

Poderoso Chefão: Parte II (1974) 

Uma das maiores tragédias já filmadas. Ao contrastar a ascensão humilde de Vito Corleone com a queda espiritual de Michael, o filme mostra como o poder, quando desvinculado da caridade e da ética, destrói justamente aquilo que o homem mais tentava proteger: a sua família. 

Casablanca (1942) 

Rick Blaine começa a trama escondido sob uma neutralidade cínica — o refúgio típico de quem prefere não sofrer a ter que agir —, mas termina compreendendo que existem causas que exigem o sacrifício do próprio coração. 

O roteiro subverte o clichê romântico moderno ao mostrar que o amor, quando maduro, deixa de ser posse para se tornar renúncia. Rick e Ilsa não se separam por falta de paixão, mas porque descobriram que a honra e o dever moral são as únicas âncoras capazes de sustentar a dignidade de um homem em um mundo em chamas.

*** 

Ao olhar para essa lista, percebemos que o selo de “Melhor Filme” só faz sentido quando aponta para algo que não envelhece. 

O cinema que realmente importa não nos oferece respostas prontas ou anestesia para os sentidos; pelo contrário, ele nos convida a uma investigação honesta sobre a nossa própria alma e o nosso próprio lugar no mundo.

Se você busca histórias que respeitem a sua inteligência e elevem a sua sensibilidade, o seu lugar é na Lumine.

Do cinema clássico aos documentários que exploram a fé e a condição humana, oferecemos uma experiência que não termina quando os créditos sobem. 

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