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Como é ser mãe de uma família numerosa? Uma conversa com Laura Padilha 
Por Redação Lumine
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14.ago.2026
Midle Dot

Se a vida em família pode ser comparada às estações do ano — com suas primaveras de pura alegria, bonança e novas vidas, contrastando com seus invernos de provações, doenças e sacrifícios —, abraçar a abertura à vida em um mundo que prega o conforto acima de tudo é uma verdadeira prova de abandono à providência divina. 

Em uma época em que o padrão de sucesso é frequentemente associado a uma casa bem equipada, um SUV, dois filhos no máximo e a ter dinheiro suficiente para fazer ao menos uma viagem internacional por ano, criar uma família numerosa exige uma dose imensa de coragem, renúncia e fé. Afinal, como ter forças para seguir na íntegra o que prega o Evangelho? Como lidar com o medo de perder o controle? Como dar atenção às individualidades de cada filho em uma casa cheia? Como alcançar os meios e as virtudes necessárias para educar os filhos para o céu? 

Laura Padilha, influenciadora católica, empreendedora e mãe de seis filhos, com uma vivência profunda de dez gestações, escolheu trilhar esse caminho. Com uma rotina que envolve gerenciar uma casa de oito pessoas, administrar uma empresa ao lado do marido e buscar a vivência diária dos sacramentos, ela prova que é possível equilibrar a vida externa com a prática da religião. 

Nesta entrevista exclusiva para o nosso blog, mergulhamos nos bastidores dessa jornada. Conversamos com a Laura sobre a história da sua família, a sabedoria de recalcular a rota quando a vida pede mudanças e os desafios de moldar o caráter de crianças com temperamentos únicos.

Entrevista com Laura Padilha

Redação Lumine: Para começarmos, queria que você contasse um pouco sobre a história da sua família: como é que você e seu marido se conheceram? Quando vocês casaram, já existia, desde o começo, essa decisão de ser uma família aberta à vida, ou isso foi um chamado que vocês foram construindo com o tempo? 

Laura Padilha: A minha história com a fé católica começa muito cedo por causa da minha mãe. Ela foi a sexta filha de uma família paupérrima e acabou sendo doada aos quatro anos para ser criada como uma espécie de “escrava branca” em uma fazenda, crescendo sem mãe e sem família. Como a dona da casa era devota de Nossa Senhora Aparecida, minha mãe, chorando no quarto pela falta de uma mãe terrena, apegou-se filialmente à Virgem Maria. Anos depois, quando eu nasci, minha irmã gêmea faleceu em um parto muito complicado e eu fiquei gravemente doente na UTI. Foi um parto muito complicado. Minha mãe se ajoelhou no leito do hospital e fez uma consagração: se eu vivesse, eu seria de Nossa Senhora.   

Então, dada a Nossa Senhora, a minha vida foi adquirindo caminhos que, desconhecidos para nós, mas conhecidos pela Providência, me levaram até a Igreja Católica. Até então, por conta do meu pai, eu era uma criança espírita. Sempre ia aos encontros por obediência, mas eu nunca gostei. Com 15 anos, eu queria uma festa de aniversário e decidi fazer uma promessa à Nossa Senhora, já que eu via a minha mãe fazendo promessas. E como eu queria a festa de 15 anos, prometi que iria a 15 missas — porque sempre ouvi meu pai dizendo que missa era algo chato, então seria um baita sacrifício. Consegui a festa e depois de pagar a promessa me apaixonei pelo catolicismo. 

Foi lá que conheci meu esposo, que tinha 16 anos na época e foi à paróquia implantar um grupo de coroinhas. Nós ficamos muito amigos, começamos a namorar, mas éramos católicos “relaxados”, sem formação doutrinária. A nossa segunda conversão aconteceu quando recebemos convites para ir a acampamentos na Canção Nova, onde ouvimos pela primeira vez pregações profundas sobre a doutrina da Igreja, e depois mudamos para uma paróquia com um padre que nos formou sobre castidade e matrimônio. Quando nos casamos em 2014, casamos sabendo exatamente o que a Igreja pede. Desde o início fomos abertos à vida, mas as pessoas confundem abertura à vida apenas com o número de filhos. Engravidei dez vezes, mas tive quatro perdas muito difíceis, incluindo um aborto retido de cinco semanas e a perda de um bebê aos cinco meses de gestação, que me obrigou a induzir o parto. Abertura à vida engloba tudo isso: é aceitar a alegria e o sacrifício, inclusive quando precisamos fazer o espaçamento natural das gestações por orientação médica para o corpo se recuperar. 

Redação Lumine: Laura, a primeira coisa que passa pela cabeça de quem vê uma família de oito pessoas é: como a conta fecha e como eles dão conta? Para aquele casal que sonha em ter filhos, mas está paralisado pelo medo de perder o controle da rotina, qual conselho você daria hoje?

Laura Padilha: O primeiro de tudo é parar de se espelhar apenas em influenciadores na internet e começar a olhar para a vida dos santos. E eu digo isso porque, apesar de ser influenciadora hoje, antes eu também me espelhava nessas pessoas. 

Hoje, aqui em casa, nós temos o costume de ler um livro sobre o santo do dia, e quando olhamos para a virtude comprovada e heroica dos mártires — como São Lourenço sendo queimado na grelha por amor a Nosso Senhor —, ficamos até envergonhados de fugir dos pequenos sacrifícios diários que a família nos pede. 

O segundo conselho é buscar o direcionamento de bons sacerdotes, que conseguem unir de forma esplêndida a espiritualidade ensinada nos evangelhos com a vida prática, evitando que o casal caia em neuroses. 

O terceiro ponto, que é indispensável, é conversar francamente com o cônjuge sobre os piores cenários e a realidade da abertura à vida. Eu vim de uma família que viajava duas ou três vezes por ano e me dava o do bom e do melhor. Lembro que, quando estava grávida da minha segunda filha, quis fazer uma viagem que não podíamos pagar e entramos em dívidas. Quando tive a terceira, meu marido sentou comigo e falou de forma muito clara: “Ter muitos filhos é sinônimo de uma vida de sacrifícios. Vamos ter que sacrificar luxos e passeios”. E graças a Deus por isso. Mas foi só porque conversávamos claramente sobre o assunto que eu fui criando consciência disso na minha vida. 

Por fim, o quarto ponto é pensar na estrutura e no planejamento a longo prazo. O modelo da nossa sociedade, onde marido e mulher trabalham 8 horas diárias fora, perdem tempo no trânsito e mal veem os filhos acordados, é enlouquecedor e incompatível com uma família numerosa. Morar em apartamento também. Por isso, recomendo fortemente que um dos dois, ou ambos, empreendam. O empreendedorismo traz liberdade geográfica, flexibilidade e tira aquela amarra que torna a parte prática de criar muitas crianças tão assustadora.  

Redação Lumine: Vocês passaram por uma mudança grande há pouco tempo: foram morar no sítio e depois voltaram para a cidade. Como foi explicar tudo isso para as crianças? Como vocês fizeram para eles entenderem e se adaptarem a essa mudança na rotina?

Laura Padilha: Na nossa casa, a vivência da nossa fé, o trabalho e a vida familiar são uma unidade; as crianças sabem que nosso grande lema é amar a Nosso Senhor de forma integral até nos mais mínimos detalhes. Para sermos fiéis a isso, meu esposo e eu temos o hábito de fazer reuniões frequentes para “recalcular a rota”, avaliando nossas metas de forma muito parecida com o que fazemos na nossa empresa, e as crianças participam dessa dinâmica.

A ida para o sítio aconteceu porque, na cidade grande, vivíamos muito tempo no trânsito e tínhamos uma rotina noturna frenética e desordenada. Queríamos a paz e a tranquilidade do campo. E foi um tempo muito gostoso para minha família: eu amava a natureza, amava estar isolada. Dormíamos bem cedo, o que nos levava a acordar cedo também e a aproveitar o ciclo natural do dia. Mas morávamos em uma casa de 50 metros quadrados, com cinco crianças espremidas num único quarto, o telhado caindo sobre nós — já que a casa era antiga —, e sem espaço para gerenciar nossa empresa, que exigia presença física. Ficamos nos “batendo” por dois anos lá.

Ao calcularmos a rota novamente, percebemos que se continuássemos daquele jeito, poderia ser uma decisão ruim para a nossa empresa. Decidimos nos mudar para uma cidade menor e tranquila, de apenas 15.000 habitantes, a 20 minutos de distância do sítio. Nós pedimos muito a Deus e, em dois meses, nossa vida se ordenou de uma forma maravilhosa, que não tinha acontecido em 2 anos morando no sítio. Conseguimos uma casa boa, as crianças brincam na rua com os vizinhos da igreja, temos acesso direto aos sacramentos, à Missa diária e conseguimos nos dedicar melhor à empresa. A abertura à vida exige que os pais sejam os guardiões desse bem-estar da família, sabendo se adaptar à vontade de Deus, mesmo quando a vida nos obriga a mudar os planos iniciais. 

Redação Lumine: No meio dessas mudanças e com uma família tão grande, como você consegue perceber que um filho específico tá precisando de um momento a sós, sem que isso vire motivo de ciúmes entre os outros?

Laura Padilha: Esse é um dos encantos de ter muitos filhos! É maravilhoso ver que cada um é completamente diferente do outro. Eu não posso agir como um trator e tratar todos de forma idêntica. Tenho uma filha mais velha que é melancólica; se eu chego abraçando rápido, ela já começa a me perguntar se eu não gosto mais de abraços. Já o meu filho de cinco anos, que eu brinco que tem “memória de cachorro”, leva uma bronca e no minuto seguinte já está feliz, te abraçando e pedindo carinho. E eu acho isso engraçado e maravilhoso, porque precisamos nos adaptar ao jeito de cada um. Os filhos vão nos moldando.

Para não perdermos a mão, eu e meu marido fazemos reuniões regulares sobre a educação deles. Nós sentamos e analisamos: “Como está a Teresa? Será que ela está muito gulosa e isso pode gerar vícios no futuro? Será que ela aprendeu isso vendo a gente?”. Depois de analisarmos a situação, por exemplo, nós dois chamamos a Teresa para conversar e orientá-la. Deus nos deu esses filhos e no juízo final Ele vai nos perguntar o que fizemos deles.

Redação Lumine: Sabemos que todo mundo precisa ajudar, mas como vocês equilibram essas tarefas para que os irmãos mais velhos não pulem etapas e acabem virando ‘pais’ dos caçulas?

Laura Padilha: Impondo limites claros e tendo muita consciência do papel de cada um. Minha mãe teve uma experiência onde a irmã mais velha dela serviu como uma “segunda mãe”, assumindo responsabilidades de criação. Em casa, os filhos mais velhas não criam e nem educam os menores, quem tem a responsabilidade integral por eles sou eu e meu marido.

O que elas fazem são pequenas ajudas pontuais. A Jacinta, por exemplo, tem 11 anos e consegue trocar uma fralda de forma maravilhosa, mas ela faz isso brincando, aproveitando o momento com o irmão. Minha mãe me ensinou a lavar roupa na mão desde cedo para que eu fosse capaz de gerenciar minha vida e até orientar uma futura funcionária, e eu passo essa visão para as minhas filhas. Quero que elas sejam adultas funcionais. Lembro que um dia a Lúcia, aos 9 anos, estava trocando a fralda do bebê, e eu brinquei que ela nunca precisaria pagar um “curso de trocar fralda” no futuro. Ela olhou perplexa e indignada, sem acreditar que existiam adultos que precisavam de um curso para saber cuidar de uma criança! É esse o objetivo: torná-las independentes, mas sem roubar a infância em detrimento do cuidado com os irmãos.

Redação Lumine: Como foi o processo de criar uma rotina com as telas que realmente funciona aí com vocês? Como você aproveita esses momentos com a TV para ajudar na educação das crianças?

Laura Padilha: Minha geração dos anos 90 foi completamente moldada pela tela; a minha rotina e minhas refeições com meus pais eram em frente à TV, assistindo novelas da Globo. Quando casei, meu marido — que veio de um berço católico — impôs que as refeições fossem à mesa, o que eu detestava no início, mas que mudou a nossa dinâmica em casa. Conforme tivemos filhos, acabávamos os colocando na frente da televisão apenas para que eu pudesse ter silêncio para bordar ou arrumar a casa.

Até que aconteceram duas coisas, e a primeira delas é até engraçada: primeiro, nós perdemos o controle do DVD e descobrimos que conseguíamos viver normalmente sem ele. Segundo, assisti a um vídeo impactante da Samia [Marsili] sobre uma carta de um detento culpando a mãe porque, na infância, ela nunca soube dizer “não” e foi totalmente permissiva. Fiz uma autoanálise dura e percebi que estava terceirizando a atenção dos meus filhos por pura conveniência e falta de força de vontade de trazê-los para fazer as atividades comigo. Nós tiramos a TV da sala. Hoje usamos um projetor para criar uma experiência de cinema, que é muito mais legal. 

A arte, o cinema e a boa música tocam lugares da alma que um milhão de horas de sermões não tocam. É por isso que o uso precisa ser programado e seguro, e é onde a Lumine entra como uma parceira fundamental. Nossas crianças sabem o dia certo de assistir e têm a liberdade de acessar qualquer desenho no perfil Kids, sem que eu precise ficar monitorando porque sei que é seguro. Elas amam a Vila das Virtudes, consumiram os filmes de santos, assistiram Matilda, Madeleine, e nós ficamos em paz sabendo que aquele conteúdo está elevando o imaginário delas e ajudando a moldar os adultos que elas serão.

Redação Lumine: Depois de 10 gestações, que tipo de sentimento passa pela sua cabeça quando você descobre que vai ter mais um filho?

Laura Padilha: É o sentimento mais maravilhoso do mundo, e a cada filho só fica melhor. Quando começamos a ter filhos, eu tinha 24 anos; hoje, aos 35, tenho muito mais maturidade. A experiência nos livra das neuras, sabemos o que é desnecessário e focamos no que importa.

Chesterton tem uma frase que carrega exatamente a minha percepção: “Quando uma criança nasce, é como se Deus fizesse um novo sol e uma nova lua, para que aqueles olhinhos pudessem percebê-los”. Ver o desenvolvimento de um recém-nascido, ouvir o barulhinho das mãos de um bebê que acabou de aprender a engatinhar, é presenciar a vida começando do zero. Eu almejo chegar aos 45 anos sendo aquela “mãe-avó”, que cria as crianças com uma calma, doçura e sabedoria que a juventude muitas vezes nos rouba com as preocupações iniciais.

Redação Lumine: Você cuida da casa, das crianças, da parte espiritual, de tudo. Mas, no meio disso tudo, o que você faz pra continuar estudando e fazendo o que gosta e não sentir que virou exclusivamente mãe?

Laura Padilha: A primeira coisa é dormir cedo e acordar cedo; as questões hormonais se estabilizam e eu acordo sendo uma mãe muito mais paciente e produtiva. Acordando antes da casa, consigo rezar a Liturgia das Horas em silêncio e ter meu momento com Deus. 

O segundo pilar é a graça sacramental. Inspirados na vida de São Luís e Santa Zélia Martin, nós tomamos a decisão de ir à Missa todos os dias bem cedo com as crianças. Nós tentamos fazer as coisas com as próprias forças, mas precisamos da graça de Deus, da Confissão e da Eucaristia diária para dar conta.

Além disso, não podemos esquecer que somos humanos e, se não descansamos, não conseguimos fazer nada. Então, depois do almoço, na nossa casa é lei: todo mundo descansa. A louça fica empilhada na pia e eu vou para o quarto ler um livro, deitar e ficar em silêncio.

Mas o mais lindo, que toda mãe pode aplicar, é dar um sentido sobrenatural a tudo o que faz, através das comunhões espirituais e das “jaculatórias”. Enquanto lavo louça, limpo a casa ou troco fraldas, eu vou elevando o pensamento a Deus. Quando aperto as bochechas dos meus filhos, eu oro: “Obrigada, Jesus, por essa bochecha”. É pegar o que parece chato e maçante, e transformar em sacrifício e amor. Confesso que não tenho muito tempo livre para mim, mas agradeço a Deus por isso. Se eu tivesse todo o tempo que a minha vontade desejasse, não sei o que seria de mim. 

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Acreditamos que o tempo de tela das crianças não precisa ser um motivo de angústia, mas sim uma oportunidade valiosa para o crescimento nas virtudes.

Na Lumine Kids, você encontra um ambiente seguro, cristão e repleto de histórias que auxiliam os pequenos a enxergarem o mundo com os olhos da fé.

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Se a vida em família pode ser comparada às estações do ano — com suas primaveras de pura alegria, bonança e novas vidas, contrastando com seus invernos de provações, doenças e sacrifícios —, abraçar a abertura à vida em um mundo que prega o conforto acima de tudo é uma verdadeira prova de abandono à providência divina. 

Em uma época em que o padrão de sucesso é frequentemente associado a uma casa bem equipada, um SUV, dois filhos no máximo e a ter dinheiro suficiente para fazer ao menos uma viagem internacional por ano, criar uma família numerosa exige uma dose imensa de coragem, renúncia e fé. Afinal, como ter forças para seguir na íntegra o que prega o Evangelho? Como lidar com o medo de perder o controle? Como dar atenção às individualidades de cada filho em uma casa cheia? Como alcançar os meios e as virtudes necessárias para educar os filhos para o céu? 

Laura Padilha, influenciadora católica, empreendedora e mãe de seis filhos, com uma vivência profunda de dez gestações, escolheu trilhar esse caminho. Com uma rotina que envolve gerenciar uma casa de oito pessoas, administrar uma empresa ao lado do marido e buscar a vivência diária dos sacramentos, ela prova que é possível equilibrar a vida externa com a prática da religião. 

Nesta entrevista exclusiva para o nosso blog, mergulhamos nos bastidores dessa jornada. Conversamos com a Laura sobre a história da sua família, a sabedoria de recalcular a rota quando a vida pede mudanças e os desafios de moldar o caráter de crianças com temperamentos únicos.

Entrevista com Laura Padilha

Redação Lumine: Para começarmos, queria que você contasse um pouco sobre a história da sua família: como é que você e seu marido se conheceram? Quando vocês casaram, já existia, desde o começo, essa decisão de ser uma família aberta à vida, ou isso foi um chamado que vocês foram construindo com o tempo? 

Laura Padilha: A minha história com a fé católica começa muito cedo por causa da minha mãe. Ela foi a sexta filha de uma família paupérrima e acabou sendo doada aos quatro anos para ser criada como uma espécie de “escrava branca” em uma fazenda, crescendo sem mãe e sem família. Como a dona da casa era devota de Nossa Senhora Aparecida, minha mãe, chorando no quarto pela falta de uma mãe terrena, apegou-se filialmente à Virgem Maria. Anos depois, quando eu nasci, minha irmã gêmea faleceu em um parto muito complicado e eu fiquei gravemente doente na UTI. Foi um parto muito complicado. Minha mãe se ajoelhou no leito do hospital e fez uma consagração: se eu vivesse, eu seria de Nossa Senhora.   

Então, dada a Nossa Senhora, a minha vida foi adquirindo caminhos que, desconhecidos para nós, mas conhecidos pela Providência, me levaram até a Igreja Católica. Até então, por conta do meu pai, eu era uma criança espírita. Sempre ia aos encontros por obediência, mas eu nunca gostei. Com 15 anos, eu queria uma festa de aniversário e decidi fazer uma promessa à Nossa Senhora, já que eu via a minha mãe fazendo promessas. E como eu queria a festa de 15 anos, prometi que iria a 15 missas — porque sempre ouvi meu pai dizendo que missa era algo chato, então seria um baita sacrifício. Consegui a festa e depois de pagar a promessa me apaixonei pelo catolicismo. 

Foi lá que conheci meu esposo, que tinha 16 anos na época e foi à paróquia implantar um grupo de coroinhas. Nós ficamos muito amigos, começamos a namorar, mas éramos católicos “relaxados”, sem formação doutrinária. A nossa segunda conversão aconteceu quando recebemos convites para ir a acampamentos na Canção Nova, onde ouvimos pela primeira vez pregações profundas sobre a doutrina da Igreja, e depois mudamos para uma paróquia com um padre que nos formou sobre castidade e matrimônio. Quando nos casamos em 2014, casamos sabendo exatamente o que a Igreja pede. Desde o início fomos abertos à vida, mas as pessoas confundem abertura à vida apenas com o número de filhos. Engravidei dez vezes, mas tive quatro perdas muito difíceis, incluindo um aborto retido de cinco semanas e a perda de um bebê aos cinco meses de gestação, que me obrigou a induzir o parto. Abertura à vida engloba tudo isso: é aceitar a alegria e o sacrifício, inclusive quando precisamos fazer o espaçamento natural das gestações por orientação médica para o corpo se recuperar. 

Redação Lumine: Laura, a primeira coisa que passa pela cabeça de quem vê uma família de oito pessoas é: como a conta fecha e como eles dão conta? Para aquele casal que sonha em ter filhos, mas está paralisado pelo medo de perder o controle da rotina, qual conselho você daria hoje?

Laura Padilha: O primeiro de tudo é parar de se espelhar apenas em influenciadores na internet e começar a olhar para a vida dos santos. E eu digo isso porque, apesar de ser influenciadora hoje, antes eu também me espelhava nessas pessoas. 

Hoje, aqui em casa, nós temos o costume de ler um livro sobre o santo do dia, e quando olhamos para a virtude comprovada e heroica dos mártires — como São Lourenço sendo queimado na grelha por amor a Nosso Senhor —, ficamos até envergonhados de fugir dos pequenos sacrifícios diários que a família nos pede. 

O segundo conselho é buscar o direcionamento de bons sacerdotes, que conseguem unir de forma esplêndida a espiritualidade ensinada nos evangelhos com a vida prática, evitando que o casal caia em neuroses. 

O terceiro ponto, que é indispensável, é conversar francamente com o cônjuge sobre os piores cenários e a realidade da abertura à vida. Eu vim de uma família que viajava duas ou três vezes por ano e me dava o do bom e do melhor. Lembro que, quando estava grávida da minha segunda filha, quis fazer uma viagem que não podíamos pagar e entramos em dívidas. Quando tive a terceira, meu marido sentou comigo e falou de forma muito clara: “Ter muitos filhos é sinônimo de uma vida de sacrifícios. Vamos ter que sacrificar luxos e passeios”. E graças a Deus por isso. Mas foi só porque conversávamos claramente sobre o assunto que eu fui criando consciência disso na minha vida. 

Por fim, o quarto ponto é pensar na estrutura e no planejamento a longo prazo. O modelo da nossa sociedade, onde marido e mulher trabalham 8 horas diárias fora, perdem tempo no trânsito e mal veem os filhos acordados, é enlouquecedor e incompatível com uma família numerosa. Morar em apartamento também. Por isso, recomendo fortemente que um dos dois, ou ambos, empreendam. O empreendedorismo traz liberdade geográfica, flexibilidade e tira aquela amarra que torna a parte prática de criar muitas crianças tão assustadora.  

Redação Lumine: Vocês passaram por uma mudança grande há pouco tempo: foram morar no sítio e depois voltaram para a cidade. Como foi explicar tudo isso para as crianças? Como vocês fizeram para eles entenderem e se adaptarem a essa mudança na rotina?

Laura Padilha: Na nossa casa, a vivência da nossa fé, o trabalho e a vida familiar são uma unidade; as crianças sabem que nosso grande lema é amar a Nosso Senhor de forma integral até nos mais mínimos detalhes. Para sermos fiéis a isso, meu esposo e eu temos o hábito de fazer reuniões frequentes para “recalcular a rota”, avaliando nossas metas de forma muito parecida com o que fazemos na nossa empresa, e as crianças participam dessa dinâmica.

A ida para o sítio aconteceu porque, na cidade grande, vivíamos muito tempo no trânsito e tínhamos uma rotina noturna frenética e desordenada. Queríamos a paz e a tranquilidade do campo. E foi um tempo muito gostoso para minha família: eu amava a natureza, amava estar isolada. Dormíamos bem cedo, o que nos levava a acordar cedo também e a aproveitar o ciclo natural do dia. Mas morávamos em uma casa de 50 metros quadrados, com cinco crianças espremidas num único quarto, o telhado caindo sobre nós — já que a casa era antiga —, e sem espaço para gerenciar nossa empresa, que exigia presença física. Ficamos nos “batendo” por dois anos lá.

Ao calcularmos a rota novamente, percebemos que se continuássemos daquele jeito, poderia ser uma decisão ruim para a nossa empresa. Decidimos nos mudar para uma cidade menor e tranquila, de apenas 15.000 habitantes, a 20 minutos de distância do sítio. Nós pedimos muito a Deus e, em dois meses, nossa vida se ordenou de uma forma maravilhosa, que não tinha acontecido em 2 anos morando no sítio. Conseguimos uma casa boa, as crianças brincam na rua com os vizinhos da igreja, temos acesso direto aos sacramentos, à Missa diária e conseguimos nos dedicar melhor à empresa. A abertura à vida exige que os pais sejam os guardiões desse bem-estar da família, sabendo se adaptar à vontade de Deus, mesmo quando a vida nos obriga a mudar os planos iniciais. 

Redação Lumine: No meio dessas mudanças e com uma família tão grande, como você consegue perceber que um filho específico tá precisando de um momento a sós, sem que isso vire motivo de ciúmes entre os outros?

Laura Padilha: Esse é um dos encantos de ter muitos filhos! É maravilhoso ver que cada um é completamente diferente do outro. Eu não posso agir como um trator e tratar todos de forma idêntica. Tenho uma filha mais velha que é melancólica; se eu chego abraçando rápido, ela já começa a me perguntar se eu não gosto mais de abraços. Já o meu filho de cinco anos, que eu brinco que tem “memória de cachorro”, leva uma bronca e no minuto seguinte já está feliz, te abraçando e pedindo carinho. E eu acho isso engraçado e maravilhoso, porque precisamos nos adaptar ao jeito de cada um. Os filhos vão nos moldando.

Para não perdermos a mão, eu e meu marido fazemos reuniões regulares sobre a educação deles. Nós sentamos e analisamos: “Como está a Teresa? Será que ela está muito gulosa e isso pode gerar vícios no futuro? Será que ela aprendeu isso vendo a gente?”. Depois de analisarmos a situação, por exemplo, nós dois chamamos a Teresa para conversar e orientá-la. Deus nos deu esses filhos e no juízo final Ele vai nos perguntar o que fizemos deles.

Redação Lumine: Sabemos que todo mundo precisa ajudar, mas como vocês equilibram essas tarefas para que os irmãos mais velhos não pulem etapas e acabem virando ‘pais’ dos caçulas?

Laura Padilha: Impondo limites claros e tendo muita consciência do papel de cada um. Minha mãe teve uma experiência onde a irmã mais velha dela serviu como uma “segunda mãe”, assumindo responsabilidades de criação. Em casa, os filhos mais velhas não criam e nem educam os menores, quem tem a responsabilidade integral por eles sou eu e meu marido.

O que elas fazem são pequenas ajudas pontuais. A Jacinta, por exemplo, tem 11 anos e consegue trocar uma fralda de forma maravilhosa, mas ela faz isso brincando, aproveitando o momento com o irmão. Minha mãe me ensinou a lavar roupa na mão desde cedo para que eu fosse capaz de gerenciar minha vida e até orientar uma futura funcionária, e eu passo essa visão para as minhas filhas. Quero que elas sejam adultas funcionais. Lembro que um dia a Lúcia, aos 9 anos, estava trocando a fralda do bebê, e eu brinquei que ela nunca precisaria pagar um “curso de trocar fralda” no futuro. Ela olhou perplexa e indignada, sem acreditar que existiam adultos que precisavam de um curso para saber cuidar de uma criança! É esse o objetivo: torná-las independentes, mas sem roubar a infância em detrimento do cuidado com os irmãos.

Redação Lumine: Como foi o processo de criar uma rotina com as telas que realmente funciona aí com vocês? Como você aproveita esses momentos com a TV para ajudar na educação das crianças?

Laura Padilha: Minha geração dos anos 90 foi completamente moldada pela tela; a minha rotina e minhas refeições com meus pais eram em frente à TV, assistindo novelas da Globo. Quando casei, meu marido — que veio de um berço católico — impôs que as refeições fossem à mesa, o que eu detestava no início, mas que mudou a nossa dinâmica em casa. Conforme tivemos filhos, acabávamos os colocando na frente da televisão apenas para que eu pudesse ter silêncio para bordar ou arrumar a casa.

Até que aconteceram duas coisas, e a primeira delas é até engraçada: primeiro, nós perdemos o controle do DVD e descobrimos que conseguíamos viver normalmente sem ele. Segundo, assisti a um vídeo impactante da Samia [Marsili] sobre uma carta de um detento culpando a mãe porque, na infância, ela nunca soube dizer “não” e foi totalmente permissiva. Fiz uma autoanálise dura e percebi que estava terceirizando a atenção dos meus filhos por pura conveniência e falta de força de vontade de trazê-los para fazer as atividades comigo. Nós tiramos a TV da sala. Hoje usamos um projetor para criar uma experiência de cinema, que é muito mais legal. 

A arte, o cinema e a boa música tocam lugares da alma que um milhão de horas de sermões não tocam. É por isso que o uso precisa ser programado e seguro, e é onde a Lumine entra como uma parceira fundamental. Nossas crianças sabem o dia certo de assistir e têm a liberdade de acessar qualquer desenho no perfil Kids, sem que eu precise ficar monitorando porque sei que é seguro. Elas amam a Vila das Virtudes, consumiram os filmes de santos, assistiram Matilda, Madeleine, e nós ficamos em paz sabendo que aquele conteúdo está elevando o imaginário delas e ajudando a moldar os adultos que elas serão.

Redação Lumine: Depois de 10 gestações, que tipo de sentimento passa pela sua cabeça quando você descobre que vai ter mais um filho?

Laura Padilha: É o sentimento mais maravilhoso do mundo, e a cada filho só fica melhor. Quando começamos a ter filhos, eu tinha 24 anos; hoje, aos 35, tenho muito mais maturidade. A experiência nos livra das neuras, sabemos o que é desnecessário e focamos no que importa.

Chesterton tem uma frase que carrega exatamente a minha percepção: “Quando uma criança nasce, é como se Deus fizesse um novo sol e uma nova lua, para que aqueles olhinhos pudessem percebê-los”. Ver o desenvolvimento de um recém-nascido, ouvir o barulhinho das mãos de um bebê que acabou de aprender a engatinhar, é presenciar a vida começando do zero. Eu almejo chegar aos 45 anos sendo aquela “mãe-avó”, que cria as crianças com uma calma, doçura e sabedoria que a juventude muitas vezes nos rouba com as preocupações iniciais.

Redação Lumine: Você cuida da casa, das crianças, da parte espiritual, de tudo. Mas, no meio disso tudo, o que você faz pra continuar estudando e fazendo o que gosta e não sentir que virou exclusivamente mãe?

Laura Padilha: A primeira coisa é dormir cedo e acordar cedo; as questões hormonais se estabilizam e eu acordo sendo uma mãe muito mais paciente e produtiva. Acordando antes da casa, consigo rezar a Liturgia das Horas em silêncio e ter meu momento com Deus. 

O segundo pilar é a graça sacramental. Inspirados na vida de São Luís e Santa Zélia Martin, nós tomamos a decisão de ir à Missa todos os dias bem cedo com as crianças. Nós tentamos fazer as coisas com as próprias forças, mas precisamos da graça de Deus, da Confissão e da Eucaristia diária para dar conta.

Além disso, não podemos esquecer que somos humanos e, se não descansamos, não conseguimos fazer nada. Então, depois do almoço, na nossa casa é lei: todo mundo descansa. A louça fica empilhada na pia e eu vou para o quarto ler um livro, deitar e ficar em silêncio.

Mas o mais lindo, que toda mãe pode aplicar, é dar um sentido sobrenatural a tudo o que faz, através das comunhões espirituais e das “jaculatórias”. Enquanto lavo louça, limpo a casa ou troco fraldas, eu vou elevando o pensamento a Deus. Quando aperto as bochechas dos meus filhos, eu oro: “Obrigada, Jesus, por essa bochecha”. É pegar o que parece chato e maçante, e transformar em sacrifício e amor. Confesso que não tenho muito tempo livre para mim, mas agradeço a Deus por isso. Se eu tivesse todo o tempo que a minha vontade desejasse, não sei o que seria de mim. 

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10.ago.2026

As 15 melhores frases de Santa Clara de Assis sobre desapego e amor a Cristo

Descubra 15 frases de Santa Clara de Assis que revelam sua profunda paixão por Cristo e seus ensinamentos sobre desapego, pobreza e santidade.

Por Redação Lumine

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