Nos últimos anos, o mercado cinematográfico de super-heróis sofreu uma clara saturação. Até Vingadores: Ultimato, o público comprou a ideia de construir um universo costurando diversos filmes por mais de uma década. Mas, depois dele, a multiplicação de universos, surgindo seriados soltos, filmes distantes entre si e a repetição abusiva das mesmas fórmulas, cansou.
Creio até que o “copia e cola” foi a principal causa. Só ver o resultado do que James Gunn vem obtendo com a DC, que é o diretor que melhor entendeu que as histórias de super-heróis são histórias de adolescentes. Sua leitura não difere do que fez em seu período na Marvel, mas não vem obtendo o mesmo sucesso agora. O público cansou mesmo.
Talvez isso explique o sucesso impressionante do mais recente Homem-Aranha: Um Novo Dia. Eis uma história de um adolescente se despedindo, atravessando o que Joseph Conrad chamou de linha de sombra: a passagem para a vida adulta, tão incerta antes de ser transposta quanto o que há para além do alcance da lanterna numa noite sem estrelas.
O grande mérito do filme é deixar de lado a confusão dos multiversos (ao menos até os créditos finais) e focar no amadurecimento de Peter Parker. As piadinhas diminuíram consideravelmente, as músicas se tornaram mais sóbrias e as cores também.
A interpretação contida de Tom Holland torna o filme melhor do que seria. Sua tristeza e solidão são comunicadas sem palavras, sem forçar expressões, mas também sem perder o olhar de inocência, que está por se apagar, mas ainda resiste e não deixa o homem que vai se tornando perder a essência do piá que já não é mais.
O ritmo do filme é mais próximo do drama do que da aventura, equilibrando bem os momentos de mais introspecção com os de ação. É uma boa tradução visual do que significa cruzar a linha de sombra. Peter se lança ao trabalho obstinado de proteger a cidade, acreditando que a entrega cega ao dever e o isolamento ascético são o preço necessário para proteger seus amigos.
Mas quando observa aqueles que dividiam a vida com ele, tocando seus dias sem guardar um único fragmento de sua existência, o drama mais comum e universal da vida adulta se instala: a constatação de que o que se conquistou, seja o que for, significa pouco ou quase nada sem ter com quem compartilhar a vida. O grande acerto do filme está em mostrar que essa armadura de solidão é uma armadilha.

Quão comum não é, tendo cursado boa parte do caminho da vida adulta, dar-nos conta de que os amigos da infância, juventude, foram ficando pelo caminho? Não porque deixaram de ser amigos, mas porque deixamos de manter contato. A correria, os afazeres… As desculpas são sempre as mesmas. Mas “um novo dia” surge quando se percebe que o foco exclusivo no trabalho e nas responsabilidades não basta e as conquistas não sustentam a vida.
A engrenagem dos dias cobra o seu preço, e o herói descobre, a duras penas, que a autossuficiência é uma ilusão dolorosa. E se com grandes poderes vem grandes responsabilidades, com a maturidade vem a humildade de que não somos nada sozinhos.
Nos últimos anos, o mercado cinematográfico de super-heróis sofreu uma clara saturação. Até Vingadores: Ultimato, o público comprou a ideia de construir um universo costurando diversos filmes por mais de uma década. Mas, depois dele, a multiplicação de universos, surgindo seriados soltos, filmes distantes entre si e a repetição abusiva das mesmas fórmulas, cansou.
Creio até que o “copia e cola” foi a principal causa. Só ver o resultado do que James Gunn vem obtendo com a DC, que é o diretor que melhor entendeu que as histórias de super-heróis são histórias de adolescentes. Sua leitura não difere do que fez em seu período na Marvel, mas não vem obtendo o mesmo sucesso agora. O público cansou mesmo.
Talvez isso explique o sucesso impressionante do mais recente Homem-Aranha: Um Novo Dia. Eis uma história de um adolescente se despedindo, atravessando o que Joseph Conrad chamou de linha de sombra: a passagem para a vida adulta, tão incerta antes de ser transposta quanto o que há para além do alcance da lanterna numa noite sem estrelas.
O grande mérito do filme é deixar de lado a confusão dos multiversos (ao menos até os créditos finais) e focar no amadurecimento de Peter Parker. As piadinhas diminuíram consideravelmente, as músicas se tornaram mais sóbrias e as cores também.
A interpretação contida de Tom Holland torna o filme melhor do que seria. Sua tristeza e solidão são comunicadas sem palavras, sem forçar expressões, mas também sem perder o olhar de inocência, que está por se apagar, mas ainda resiste e não deixa o homem que vai se tornando perder a essência do piá que já não é mais.
O ritmo do filme é mais próximo do drama do que da aventura, equilibrando bem os momentos de mais introspecção com os de ação. É uma boa tradução visual do que significa cruzar a linha de sombra. Peter se lança ao trabalho obstinado de proteger a cidade, acreditando que a entrega cega ao dever e o isolamento ascético são o preço necessário para proteger seus amigos.
Mas quando observa aqueles que dividiam a vida com ele, tocando seus dias sem guardar um único fragmento de sua existência, o drama mais comum e universal da vida adulta se instala: a constatação de que o que se conquistou, seja o que for, significa pouco ou quase nada sem ter com quem compartilhar a vida. O grande acerto do filme está em mostrar que essa armadura de solidão é uma armadilha.

Quão comum não é, tendo cursado boa parte do caminho da vida adulta, dar-nos conta de que os amigos da infância, juventude, foram ficando pelo caminho? Não porque deixaram de ser amigos, mas porque deixamos de manter contato. A correria, os afazeres… As desculpas são sempre as mesmas. Mas “um novo dia” surge quando se percebe que o foco exclusivo no trabalho e nas responsabilidades não basta e as conquistas não sustentam a vida.
A engrenagem dos dias cobra o seu preço, e o herói descobre, a duras penas, que a autossuficiência é uma ilusão dolorosa. E se com grandes poderes vem grandes responsabilidades, com a maturidade vem a humildade de que não somos nada sozinhos.
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