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Discurso do Papa Leão XIV durante visita em Casavalle

Por Redação Lumine
08 de nov de 20266 min de leitura
Discurso do Papa Leão XIV durante visita em Casavalle

Saudação improvisada do Santo Padre ás famílias residentes em Casavalle 

A bênção de Deus manifesta-se de muitas formas. Hoje queremos pedir a sua bênção para cada família aqui representada, seus entes queridos e todas as famílias que vivem nesta zona.

Recebemos uma bênção especial sempre que nos reunimos em comunidade e aprendemos a trabalhar juntos, a colaborar num projeto comum e a afirmar que a vida é importante, que a nossa fé nos sustenta e que queremos ser fiéis a Jesus, o nosso melhor amigo.

O Senhor esteja convosco. Que a bênção de Deus Todo-Poderoso, Pai, Filho e Espírito Santo, desça sobre vós. Ámen.

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Discurso do Santo Padre

Queridos irmãos e irmãs, boa tarde!

É para mim uma grande alegria poder visitar esta paróquia, este bairro, percorrer as ruas e conhecer as obras que foram realizadas com tanto esforço. Ao vê-las, sinto-me em casa, recordando as visitas a diferentes comunidades como missionário. Agradeço ao Cardeal Daniel Sturla, Arcebispo de Montevidéu, ao Pe. Pablo Coimbra, pároco desta comunidade, e à senhora Carmen Albana Sanz pelas suas palavras de boas-vindas; e a todos vós pela vossa presença aqui hoje e por terdes preparado este encontro com tanto entusiasmo. De forma especial, quero agradecer àqueles que deram os seus testemunhos, abrindo os seus corações para partilhar conosco o triunfo da vida, da fé e da esperança: Obrigado Angélica, Alan e Katherine.

Esta paróquia é dedicada a Nossa Senhora de Guadalupe, que foi declarada pelos meus antecessores “Padroeira da América Latina” e “Imperatriz das Américas”. A presença amorosa da nossa Mãe do céu neste continente convida-nos a olhar para além da realidade que nos rodeia, a ver para além das fronteiras e, elevando o olhar, a abrir os nossos corações às realidades eternas. Da mesma forma, Maria ensina-nos a fazer o que o seu Filho Jesus nos diz (cf. Jo 2, 5), e essa é a missão das paróquias: ser como um farol que sinalize a presença de Jesus Cristo, oferecendo a todos a luz da Palavra de Deus, o auxílio dos Sacramentos, o apoio da oração e o bálsamo da caridade fraterna. Nesta comunidade paroquial foi levado a cabo um projeto de construção de várias habitações destinadas a famílias de baixos rendimentos. Alegre-me ter contribuído para esta bonita iniciativa através dos benfeitores da Papal Foundation, a quem agradeço sinceramente pela generosidade. Que estas casas sejam para as suas famílias muito mais do que um teto: um verdadeiro lar onde possam crescer com dignidade, paz e esperança, sentindo sempre a proximidade e o amor de Deus.

Quero partilhar convosco uma história – certamente conhecida – que Jesus contou aos seus discípulos: refiro-me à parábola do bom samaritano (cf. Lc 10, 29-37). Nela conta-se que um homem «caiu nas mãos dos salteadores que, depois de o despojarem e encherem de pancadas, o abandonaram, deixando-o meio morto» (v. 30). Este acontecimento foi muito lamentável e injusto. À terrível agressão sofrida pelo homem que caminhava pela estrada, ainda se juntou a dor causada pela indiferença daqueles que, mesmo vendo-o necessitado, passaram ao largo (cf. vv. 31-32). Mas a história não termina aí; no relato acende-se uma luz de esperança: um samaritano, ao vê-lo, comoveu-se, aproximou-se, curou-lhe as feridas, levou-o a uma estalagem e providenciou os meios necessários para os seus cuidados e recuperação (cf. vv. 33-35).

Queridos irmãos e irmãs, também hoje podemos ver esta história repetir-se diversas vezes nos muitos casos de insegurança e violência que, infelizmente, ameaçam a paz dos nossos bairros e até mesmo a vida dos nossos entes queridos, aos quais a sociedade tantas vezes responde com indiferença. Ao mesmo tempo, podemos ver o outro lado, ou seja, a ação de numerosas instituições e pessoas de bom coração que contribuem para promover a paz e ajudam as pessoas a suprir as suas necessidades de forma concreta. Um exemplo luminoso é a vida dedicada do Padre Cacho, que soube construir pontes, derrubar muros e promover o encontro, como nos contou a Angélica no seu testemunho.

Precisamos de continuar a apostar na proximidade caritativa do bom samaritano que, ao perceber o infortúnio alheio, não ficou indiferente, mas assumiu a responsabilidade pela vida do seu irmão. Não podemos passar ao largo quando sabemos que há crianças no Uruguai que não vão à escola por medo de não voltarem. Não podemos silenciar a nossa consciência quando constatamos que uma mãe não tem meios para alimentar os seus filhos. Não podemos ignorar que, à nossa volta, há muitas pessoas que sofrem, estão sozinhas e vulneráveis. Ouvimo-lo em primeira mão, nas palavras comoventes de Katherine. Um filho deste país, tão rico em recursos, não deveria deitar-se sem comer, nem deveria renunciar a uma educação e um futuro dignos devido à insegurança que reina nas ruas. Muito menos deveria sofrer violência a ponto de perder a vida.

Temos de trabalhar unidos: a Igreja, a sociedade civil e o Estado. É preciso despertar da nossa inércia e defender o bem comum. Foi a experiência que o Alan partilhou conosco: hoje oferece gratuitamente aquilo que, por sua vez, recebeu. Cabe-nos a decisão de construir uma nova cidade, na qual ninguém seja excluído, ou de continuarmos confortavelmente mergulhados, cada um nos seus assuntos. O Papa Francisco dizia-nos que «a inclusão ou exclusão da pessoa que sofre na margem da estrada define todos os projetos económicos, políticos, sociais e religiosos. Dia a dia enfrentamos a opção de ser bons samaritanos ou viandantes indiferentes que passam ao largo» (Carta enc. Fratelli tutti, 69).

A missão da Igreja nasce da caridade evangélica, «que a impele a aproximar-se das feridas da humanidade quando se manifestam com maior gravidade. Ao intervir, fá-lo imitando o bom Samaritano, com discrição e proximidade, consciente de que, quanto surge duma necessidade imediata não pode transformar-se em norma, nem substituir as responsabilidades institucionais próprias da comunidade civil» (Carta enc. Magnifica humanitas, 21). Unamos, portanto, os nossos esforços e respondamos com generosidade ao apelo para construirmos juntos uma pátria de irmãos.

Queridos amigos, a parábola do bom samaritano conclui-se com esta exortação de Jesus: «Vai e faz tu também o mesmo» (Lc 10, 37). Trata-se de um mandamento que cada cristão deve ouvir ressoar todos os dias no seu coração (cf. Exort. ap. Dilexi te, 107). Deixemos que estas palavras nos renovem e impulsionem a continuar juntos a construção duma nova cidade, onde reinem o amor e a paz. Que Deus vos abençoe e que a nossa Mãe de Guadalupe, por quem nutro especial afeto e veneração pois na sua festa recebi a ordenação episcopal, vos proteja com o seu manto celestial. Muito obrigado.

Foto e documento originais do Dicastério para a Comunicação (Vaticano), reproduzido na íntegra.

Acompanhe cada passo desta viagem histórica com a Lumine

A equipe da Lumine está realizando uma cobertura completa da visita do Papa à América Latina. Além de homilias e discursos, estamos produzindo um documentário original e exclusivo sobre a passagem do Santo Padre pelo continente.

A grande estreia será no dia 19/11, às 20h.

Clique aqui para garantir o seu lugar e assistir ao documentário em primeira mão!

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