O papa Leão XIV recebeu, no Vaticano, uma relíquia da Beata Francisca de Paula de Jesus, conhecida popularmente como Nhá Chica, uma das figuras mais queridas da religiosidade popular brasileira. A entrega ocorreu durante o Encontro Internacional da Pastoral Escolar e Universitária, realizado no Vaticano e promovido pelo Dicastério para a Cultura e a Educação da Santa Sé.

A relíquia, classificada como ex indumentis — objeto que esteve em contato com as vestes da beata —, foi entregue ao pontífice por Dom Carlos Lema Garcia, bispo auxiliar da Arquidiocese de São Paulo e referencial do Setor Universidades da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O presente foi entregue a pedido do professor Diego Marihama, coordenador do Setor Universidades e devoto de Nhá Chica. O objeto possui um significado especial para ele: permaneceu durante 26 anos em seu breviário, acompanhando sua caminhada espiritual e sua devoção à beata mineira.

Quem foi Nhá Chica?

Nascida em 1810, em Santo Antônio do Rio das Mortes, distrito de São João del-Rei, em Minas Gerais, Francisca de Paula de Jesus ficou conhecida como Nhá Chica. Filha de pessoas escravizadas, mudou-se ainda criança para Baependi, onde construiu sua trajetória marcada pela oração, simplicidade e dedicação aos mais necessitados.

Mesmo sem ocupar cargos religiosos ou pertencer a uma ordem, tornou-se conhecida pela acolhida aos pobres, pela caridade e pela profunda confiança em Deus. Pessoas de diferentes lugares procuravam Nhá Chica em busca de conselhos e orações.

Ela morreu em 14 de junho de 1895, em Baependi, onde sua memória permanece viva entre os fiéis.

Em 2013, foi beatificada pela Igreja Católica, durante o pontificado do papa Francisco, após o reconhecimento de um milagre atribuído à sua intercessão. A celebração reuniu milhares de peregrinos e consolidou ainda mais a devoção à beata no Brasil.

Um gesto de devoção brasileira no Vaticano

A entrega da relíquia representa um gesto de comunhão entre a Igreja no Brasil e o Santo Padre. A iniciativa também leva ao Vaticano a memória de uma mulher cuja história de fé e caridade atravessou gerações.

Ao receber o objeto, Leão XIV acolheu um símbolo da espiritualidade popular brasileira e da devoção de tantos fiéis que encontram em Nhá Chica um exemplo de confiança em Deus, humildade e amor ao próximo.

A expectativa dos devotos é que a memória da beata continue alcançando novos fiéis e que sua história inspire a vivência da fé, especialmente por meio da oração e do serviço aos mais necessitados.